Sonha e Ganharás o Mundo...

(mas perderás a tua alma.)

“Tenho ouvido o que dizem aqueles profetas, profetizando mentiras em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei.”  (Jeremias 23:25)

Roberto Cesar Alves do Nascimento

Introdução

                  O grande pregador Inglês, Charles H. Spurgeon disse, certa vez: “A apatia está por toda a parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso”.  Esta afirmação, feita há mais de cem anos, serve muito bem para ilustrar o estado da Igreja atual e, ao mesmo tempo, denunciar o quanto ela é pobre de reflexão.

Uma enxurrada de falsos ensinos tem inundado a Igreja, levando em suas águas de morte e destruição muitos cristãos despreparados, sem que ninguém tenha coragem de detê-la. Aqueles que deveriam estar agindo como salva-vidas, muitas vezes encontram-se surfando nas águas desses ensinos heréticos.

                  Todo este quadro deplorável é fruto da conivência com a mentira e do afastamento do verdadeiro Evangelho de Cristo. Muitos, em sua ignorância, tornaram-se presa fácil dos vendedores de “sonhos”, que os impressionaram com suas “visões” e “profecias”, levando-os a transformarem-se em verdadeiras “mulas”, transportadoras de seus falsos ensinamentos.

A Bíblia sempre se mostrou intolerante a esse respeito. O Senhor Jesus Cristo nunca se calou diante dos falsos profetas. Assim também agiram os Apóstolos, imitando o Mestre, sempre que qualquer doutrina espúria desafiava o Cristianismo Bíblico.

                  Em toda a história do Cristianismo Bíblico nunca a denúncia e a exposição do erro tiveram aceitação, principalmente pelos mentirosos. Atos 7:54 diz que aqueles que ouviam Estevão falar a verdade “enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes”. A Verdade sempre foi apedrejada, espancada com varas, aprisionada em celas e, por fim, pregada na cruz. Mas a Verdade prevaleceu, e sempre há de prevalecer, ainda que alguns tentem ocultá-la, a qualquer “custo”, como fizeram os soldados da guarda do sepulcro, subornados pelos príncipes dos sacerdotes (Mateus 28:12-15).

                  Na batalha contra os ensinamentos pregados pelo Movimento G-12, o qual, na verdade não passa de um velho modismo com nova roupagem “made in” Colômbia, porém mais sofisticada e perigosa, fui motivado a escrever este artigo, expondo alguns dos ensinos do Pr. César Castellanos Dominguez, apresentados em seu livro “Sonha e Ganharás o Mundo”. Esse desejo resulta do amor ao verdadeiro Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, e da responsabilidade bíblica que temos, como cristãos,  de “admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tito 1:9).

                  Utilizarei como base para análise a afirmativa sempre verdadeira de que Jesus Cristo é a revelação máxima de Deus, e a Bíblia, a Autoridade Final em todas as regras de fé e prática. Os textos bíblicos citados são extraídos da Edição Almeida Corrigida e Fiel, da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.


A Linguagem dos Sonhos

César Castellanos ensina que, pela utilização de sonhos, todos nós podemos provocar transformações no mundo real, trazendo à realidade aquilo que incubamos em nossas mentes. Ao afirmar que o “mundo é dos sonhadores”, ele  coloca como condição para que recebamos tudo de Deus:  atrever-nos a sonhar[1].

Esta afirmação contrasta com a Bíblia que diz “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” (I João 5:14), “E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista” (I João 3:22).

Castellanos procura avalisar esta crença citando trechos da Bíblia onde torce sua interpretação. Conta, por exemplo, que Neemias “agasalhou” dentro de si um sonho: restaurar Jerusalém, deixando-se “engravidar”  por isso, “visualizando” assim, Jerusalém reconstruída. Escreve o autor :

Neemias era um profeta que estava cativo na Babilônia, quando recebeu a notícia de que seu povo se encontrava em dificuldades e os muros de sua cidade destruídos. Quando ouviu isto, sentiu uma dor profunda em seu coração, porém ao mesmo tempo começou a agasalhar dentro de si mesmo um sonho (...) porém o profeta teve a visão de restaurá-la e se deixou engravidar por isto (...) [2]

Mais adiante ele relata um suposto diálogo com Deus, onde o Senhor lhe ordena:

“Sonha, sonha com uma Igreja muito grande, porque os Sonhos são a linguagem de meu Espírito. Porque a igreja que hás de pastorear será tão numerosa como as estrelas do céu e como a areia do mar, que de multidão não se poderá contar.” [3]

Caro leitor, o uso desta alquimia mental é baseada em crenças de seitas ocultistas, da feitiçaria, e permeia toda a literatura da Nova Era, não tendo, portanto, qualquer respaldo das Sagradas Escrituras. Dave Hunt escreve em “A Sedução do Cristianismo”, o seguinte :

Os crentes estão caindo involuntariamente numa velha prática ocultista ao tentarem criar a realidade e até mesmo manipular a Deus por meio da formação de imagens mentais vívidas. [4]

Sendo assim, vejamos o que diz a Bíblia, em Neemias 1:4 e 2:4 : “E sucedeu que, ouvindo eu estas palavras, assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus”, “E o rei me disse: Que me pedes agora? Então orei ao Deus dos céus,”.  Ficou claro, então, que a atitude de Neemias foi CHORAR, LAMENTAR, JEJUAR, e  ORAR ao Deus dos céus. Esta é a verdadeira linguagem que encontramos na Bíblia.

Nada indica que Neemias tenha sonhado, ou feito projeções imaginativas, ou tenha incubado, ou até mesmo ficado “grávido” de algo. Neemias era um servo de Deus e, como todo servo temente a Deus, O buscava em oração, na expectativa de ouvir a Sua voz, e obedecer a Sua palavra. Por isso, Deus colocou em seu coração o desejo de ir a Jerusalém para reedificá-la. Leiamos o texto bíblico, em Neemias 2:12 que diz : “...e não declarei a ninguém o que meu Deus me pôs no coração para fazer em Jerusalém”

Não existe absolutamente passagem alguma na Bíblia que se possa usar para endossar a afirmação de que os sonhos são a linguagem do Espírito de Deus. Há uma gritante diferença entre receber visões e sonhos de Deus e desenvolver os seus próprios, pois como diz a Palavra: “Porque, como na multidão dos sonhos há vaidades, assim também nas muitas palavras; mas tu teme a Deus.”  (Eclesiastes 5:7).

Deus inspirou os profetas no passado, e hoje o Espírito Santo nos ilumina para entendermos Sua Palavra. Hebreus 1:1 nos diz que: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes útlimos dias pelo Filho”. Jesus, a revelação máxima de Deus, nos ensina que através da oração falamos com o Pai. Ele mesmo quando escolheu os doze discípulos não o fez através de sonhos ou imaginação criativa, mas através da oração. Diz a palavra que ele “passou a noite em oração a Deus. E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de apóstolos” (Lucas 6:12-13). Ele ainda nos ensina que o fato de orar não dá o direito de exigir de Deus isto ou aquilo. Ao contrário, “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6:10).

Este perigoso ensino abre caminho para um terrível engano, ao sugerir que se podemos sonhar, incubando aquilo que queremos e exigirmos que Deus faça por nós, logo somos “deuses”, e Deus apenas um “placebo”.

Vejamos o que Castellanos escreve sobre isso:

Recordo-me de que para alcançar meu primeiro desafio, sentei-me no piso do auditório que tinha capacidade para 120 pessoas, e comecei a sonhar. Era tal a presença de Deus neste sonho, que pude ouvir o ruído dos motores dos carros quando estacionavam, os passos das pessoas a entrarem no salão e, inclusive, como o recinto se enchia de dúzias de pessoas que deviam fazer filas e esperavam que saíssem uns, para poderem entrar. A partir deste sonho foi tão grande o mover de Deus que a reunião começou a crescer até que, em somente três meses surgiu a necessidade de fazer dois cultos e, assim como havíamos visualizado, as pessoas ficavam do lado de fora esperando sua oportunidade para entrar. Haverá algo impossível para Deus? O dilema está dentro de nossa própria mente (...) [5]

Utilizo-me de um texto citado do pastor David Wilkerson, fundador do Desafio Jovem, que disse:

  Este evangelho pervertido busca transformar homens em deuses. É-lhes dito: “Seu destino está no poder da mente...Transforme seus sonhos em realidade usando o poder da mente”.

  Fique sabido de uma vez por todas que Deus não abdicará de Sua soberania em favor do poder de nossas mentes, seja ele positivo ou negativo. Devemos buscar a mente de Cristo, e Sua mente não é materialista; não se focaliza no sucesso ou na riqueza. A mente de Cristo Se focaliza na glória de Deus e na obediência à Sua palavra.

Finalmente, na tentativa de colocar um selo de aprovação em sua mensagem, César Castellanos afirma que o próprio Deus utilizou-se deste método. Vejam o que ele escreveu:

Tudo quanto temos feito como Missão Carismática Internacional, começou com um sonho, como todas as coisas criadas por Deus. Primeiro, Ele sonhou, depois planejou, desenhou e executou.[6]

Contrastando fortemente com este ensino, a Bíblia nos diz que Deus é Criador, Sustentador, Redentor, Juiz e Senhor da história e do universo, e que “Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados” (Hebreus 11:3). O salmista diz de Deus: “Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas” (Salmos 104:24). Em nenhum ponto das Sagradas Escrituras encontramos, ainda que supostamente, alguma indicação de que Deus sonhou ou é um sonhador.

Esta tentativa de sugerir que Deus cria, utilizando-se de sonhos ou visualizações, ou qualquer outra técnica, ao mesmo tempo que tenta limitar o poder de Deus, endeusa o homem. Leiamos alguns trechos do capítulo 37 do livro de Jó: “Com sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não podemos compreender. “, “A isto, ó Jó, inclina os teus ouvidos; pára, e considera as maravilhas de Deus. Porventura sabes tu como Deus as opera, e faz resplandecer a luz da sua nuvem?”, “Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; “  (Jó 37:5, 14-15, 23).

Na visão do trono de Deus em Apocalipse 4, o apóstolo João nos relata que os vinte e quatro anciãos adoravam o Senhor dizendo : “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” (Apocalipse 4:11).

É importante não perder de vista que apesar desta idéia de produzir a realidade através de sonhos incubados (ou visualizados) na mente, estar ausente nas Escrituras, ela está presente em toda a literatura ocultista, sendo um dos seus recursos fundamentais.

Este engano sutil tem levado muitos cristãos sinceros a substituir a verdade por sonhos e imagens. Não são os nossos sonhos, nem a formação de imagens mentais, que irão produzir ou determinar isso ou aquilo, mas a Soberana Vontade de Deus, a qual, a despeito de nossa vontade, irá produzir a gloriosa manifestação dEle na vida do crente.


Autoridade profética e apostólica de Castellanos

A Bíblia nos admoesta a ter uma atitude de santa suspeita frente àqueles que se autodenominam profetas, e a suas profecias de última hora. Vejamos a orientação bíblica nesse sentido: “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus; porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” (I João 4:1). O próprio Senhor Jesus nos adverte em Mateus 24:24: “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.”.

Castellanos relata que o seu ministério profético-apostólico teve início a partir de uma experiência pessoal com Deus na costa Atlântica Colombiana, onde,  ao se identificar como o “Ancião de Dias”,  o Senhor lhe faz a seguinte declaração :

 “Posso falar às almas diretamente, porém prefiro fazê-lo através de ti. Coloquei-te como pastor. Sonha, sonha com uma igreja muito grande porque os sonhos são a linguagem de meu Espírito. Porque a igreja que hás de pastorear será tão numerosa como as estrelas do céu e como a areia do mar, que de multidão não se poderá contar”.[7]

Através do processo de iluminação, o Espírito Santo nos capacita a entender a vontade de Deus contida em Sua Palavra. Em Efésios 1:17-18 lemos : “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação; Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos”. Esta é a linguagem da Bíblia. Não há como substituí-la por sonhos e imaginações. Deus nos fala e comunica Sua vontade através da Palavra, e nós, que temos a mente regenerada por Cristo, podemos entendê-la claramente.

Portanto, desde que Deus não é homem para que minta, indo contra sua própria palavra, não temos outra alternativa senão considerar que neste diálogo um dos interlocutores com certeza não era o Deus Todo-Poderoso.

Mais tarde, em 1989, como o próprio Castellanos afirma, Deus iria confirmar mais uma vez seu propósito para com ele, através de uma profecia entregue por Randy McMillan, ministro radicado na Colômbia:

Esta igreja tem encontrado graça diante dos Meus olhos. Tenho uma grande visão para vocês. Quanto à área financeira, lenvatá-los-ei com sinais da Minha glória. (...) Vou abençoá-los sobrenatural e economicamente como igreja para que alcancem coisas que os outros não tem alcançado...Sou um Deus de bênção e prosperidade total em teu espírito, tua alma e teu corpo; em todas as coisas materiais...Por fé em Deus e em Cristo Jesus, vocês tem direito a ser abençoados em todas as coisas, ainda que materiais, disse o Senhor. Os ministérios dessa igreja vão prosperar... Busquem-Me, diz o Senhor, entrem em aliança Comigo e verão suas finanças prósperas, Minha igreja próspera e Minha obra expandida (...) Ao pastor, o Espírito diz: Tenho muitos projetos para ti, estás entrando na primeira etapa, não descanses, não desmaies pelo caminho, porque tudo tem seu tempo (...) Meu Espírito tem gozo pela liberdade e liderança desta igreja, e assim quero prosperar-vos grandemente...Verão Minha glória e os levarei de glória em glória, diz o Senhor. [8]

A profecia apresentada como sendo de Deus traz um conteúdo que não encontra precedentes nem respaldo nas Escrituras. Não encontramos em nenhum lugar das Escrituras Deus fazendo alianças financeiras com pessoa alguma. Pelo contrário, a Bíblia nos apresenta uma Aliança Eterna, inaugurada pelo sangue do Cordeiro: A Nova Aliança. Ela satisfaz plenamente as nossas necessidades. Não é preciso adicionar-lhe coisa alguma, nem existe a possibilidade de subtrair dela alguma coisa. O que Deus fez é de todo perfeito. É-nos dito pela Palavra : “Porque esta é a aliança que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo; e não ensinará cada um a seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior.Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais.”  (Hebreus 8:10-12).

A Bíblia também fala das riquezas inescrutáveis da Graça de Deus, “que é Cristo em vós, esperança da glória;” (Colossenses 1:27b). Conhecer a Cristo é a verdadeira riqueza que devemos buscar ansiosamente. Profecias como esta supra mencionada, mais do que qualquer outra coisa, fazem alusão ao Evangelho da Prosperidade, com suas malfadadas promessas de riqueza e prosperidade material, baseadas em entendimentos distorcidos do texto bíblico. Além de prometer prosperidade financeira, ainda ensina, erroneamente, que temos direitos a serem observados e satisfeitos, obrigatoriamente, por Deus, não levando em conta Sua Soberana vontade.

É exclusivista ao afirmar de maneira presunçosa que Deus tem tratado o MCI (Ministério Carismático Internacional) de maneira especialmente diferenciada, o que vem de encontro à palavra de Deus, que diz: “Porque, para com Deus não há acepção de pessoas” (Romanos 2:11). Será que existe algum motivo especial para isso? Deus chama Sua Igreja de Corpo de Cristo. A Bíblia diz: “e sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.” (Efésios 1:22-23). No contexto bíblico, esta Igreja não é uma denominação particular, mas um grupo de pessoas redimidas pelo precioso sangue de Cristo, regeneradas pelo Espírito Santo, as quais se colocaram nas mãos de Deus, alegremente aceitando a Sua vontade, alegremente fazendo a Sua vontade, e alegremente permanecendo na terra do lado dEle, para manter o Seu testemunho. E as promessas de Deus são para esta Igreja, não sendo, portanto, exclusividade do MCI, ou de quem abraçou a “visão dos doze”.

E finalmente, em 1997, através dos lábios de Bill Hammond e Cindy Jacobs, Deus fala novamente com ele:

...Vou usar a Colômbia para ensinar a igreja americana, a igreja dos Estados Unidos, como guerrear nos lugares celestiais..E o Senhor diz a seu filho César: Haveis sido chamado em um tempo como este para os Estados Unidos da América, e ensinarás a mensagem que Eu te tenho ensinado a ti (...)...Abrirei as portas dos mais gigantescos estádios e estarão cheios de gente faminta...O Senhor diz: Vou trocar a maldição e usarei um colombiano para curar os perseguidores; utilizarei um colombiano para liberar a misericórdia de Deus (...)...E o Senhor te diz: Filho, Eu te tenho enviado para cura dos Estados Unidos. Filho Meu, poderia haver falado a outra pessoa para fazer isto, mas te peço a ti, te peço a ti, amarás as minhas ovelhas?...Porque há muitos crentes nos Estados Unidos que amam a Deus, e as trevas que virão contra esta nação causarão terror e fogo, incêndios, e cidades arderão em fogo: mas há tempo, diz o Senhor, e para isso Eu te unjo como José, para ir ao Egito e sarar a nação...O Senhor diz: Filho Meu, não temas porque o diabo já tem jogado o que ele tem de pior, tem tratado de destruir-te, mas Eu tenho declarado nos céus: diabo, já não poderás tocar neste homem, porque ele está no curso do Meu destino, Eu o tenho levantado para Meus próprios propósitos e estou nomeando anjos guerreiros à frente e detrás dele (...) Nenhuma arma forjada contra ti prosperará, e toda língua acusadora que se levante contra em ti em juízo, Eu a condenarei, diz o Senhor...Meus olhos tem estado buscando em toda a terra um homem como tu (...)...Desde este dia em diante falarás com autoridade apostólica, com unção fresca...Nações se levantarão e cairão com a palavra profética que saíra de teus lábios; estou levantando a Meus profetas e a Meus apóstolos para que sejam Minha voz em toda a terra...Libero uma dupla porção sobre ti e sobre tua esposa e os demais, disse o Senhor...[9]

 

Esta profecia faz preocupantes afirmações quanto ao futuro dos Estados Unidos, ao falar sobre “fogo, incêndios, e cidades que arderão em fogo”. Vale ressaltar que esta predição não se encontra presente na Bíblia.

Ela afirma, ainda,  categoricamente que Castellanos é o canal escolhido para que a misericórdia de Deus possa ser liberada. Estranho e sem fundamento, pois a Bíblia nos ensina que somos alcançados pela misericórdia de Deus através de Cristo Jesus. Diz ainda em Hebreus 4:16 que basta que “Cheguemo-nos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.”. Sabendo ainda que Jesus disse dEle mesmo: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6).

Quando a profecia se refere alegoricamente a José, na verdade está buscando respaldo para a linguagem de sonhos. Embora esqueça que os sonhos de José (leiam Gênesis 37) nada têm a ver com imaginação criativa, poder mental, visualização, ou qualquer outra falácia oriunda do ocultismo e da feitiçaria.

A profecia comunica ordens dadas por Deus nas regiões celestiais, para que o diabo não mais toque em Castellanos,  e ainda nomeia anjos guerreiros para guardá-lo. Não têm a mesma sorte os demais cristãos, assim como também não a teve o Apóstolo Paulo, segundo o relato bíblico, em II Coríntios 12:7 que diz: “E, para que me não exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.”.  Apesar de orar  a Deus três vezes para que isso se desviasse dele, o Senhor disse a ele: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (II Coríntios 12:9a). Então o Apóstolo Paulo responde de tal maneira que evidencia o profundo amor e temor que tem pelo Senhor: “De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (II Coríntios 12:9b).

A despeito da afirmativa de Castellanos, e se fosse realmente verdadeira essa profecia, restar-nos-ia apenas clamar pela misericórdia de Deus, consolando-nos com a sua Palavra Fiel, que diz em I João 5:18: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca”, e também em João 10:27-29: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai”.

Contudo, Deus não nos isenta de batalhar contra as forças espirituais do mal: “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.” (Efésios 6:10-11), pois de outro modo, como disse o Apóstolo Paulo, poderíamos nos exaltar. Tenhamos pois plena confiança em Deus, “porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles” (II Reis 6:16).

Por último, a profecia coloca Castellanos como o “escolhido” por Deus para esta hora, o que lhe outorga o título de Apóstolo, com poderes inclusive para sobrepujar nações através de suas palavras. Fala dele e para ele como o único encontrado digno na face da terra, enquanto a Bíblia diz: “Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3:10). Procura com isso dar a Castellanos uma exclusividade que não encontra respaldo na Bíblia. A Palavra diz que Deus procura os seus fiéis: “Os meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que se assentem comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá.” (Salmos 101:6)

A Bíblia nos diz, também, que o único que possui autoridade para subjugar reinos e nações é Jesus Cristo, “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Filipenses 2:9-11).

Nada, nem ninguém, pode igualar-se a Cristo, o qual está sentado à direita de Deus Pai, O Todo-Poderoso. Cristo é o Sumo Pastor, “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Apocalipse 19:16). A sua grandeza é exclusiva. Em Colossenses 2,  o Apóstolo Paulo mostra que todos os tesouros de sabedoria e de conhecimento estão em Cristo (Colossenses 2:3). Não há nenhuma verdade ou entendimento fora dele. A plenitude da divindade está em Cristo (Colossenses 2:9). Não existe parte alguma da natureza e da Pessoa de Deus que não esteja expressamente revelada em Jesus. Achamos nossa perfeição em Cristo (Colossenses 2:10). Nele está a circuncisão espiritual, o perdão e a nova vida (Colossenses 2:11-13). Quando morreu, Jesus tirou o poder das forças satânicas, ganhando sobre elas uma decisiva vitória (Colossenses 2:14-15). Jesus é a realidade para a qual todas as leis, festas e símbolos do Velho Testamento apontavam (Colossenses 2:16-17). Todo o crescimento do corpo depende de Cristo, que é a cabeça (Colossenses 2:19). Qualquer busca da verdade, do entendimento, ou do crescimento espiritual, fora de Cristo, com certeza vai falhar.


Conclusão

A história nos mostra que todo fundador de seita religiosa afirma ter recebido uma revelação pessoal de Deus, reivindicando ser mensageiro especial, designado por Deus para uma missão também especial e urgente. Normalmente este líder também reivindica possuir habilidades especiais e exclusivas, colocando-se sempre acima de qualquer suspeita e repreensão, não aceitando a negação, nem a contestação de seus atos ou palavras. Escudados numa escolha especial de Deus todos eles transformam-se em verdadeiros autocratas, exigindo, de seus seguidores, absoluta obediência e submissão.

Embora fale da Bíblia, citando-a inúmeras vezes, eles o fazem a partir de sua ótica particular, concentrando a atenção não no real teor da mensagem, mas em suas supostas visões e grandes maravilhas que julgam acompanhá-lo.

Ao estudarmos a História do Cristianismo, vemos que a verdadeira espiritualidade do Protestantismo não se baseou em visões ou sonhos, mas sim, na Bíblia, a única fonte de autoridade e direção espiritual.

Ao ler este livro de Castellanos percebe-se a flagrante ausência desta característica, marca registrada do verdadeiro Cristianismo (Sola Scriptura). Outro fator preocupante é também a ausência do testemunho da Cruz de Cristo, a qual ocupa o centro do conselho de Deus, e o centro do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. O Apóstolo Paulo disse: “Porque nada me propus a saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (I Coríntios 2:2).

O que a Igreja de Jesus Cristo precisa, urgentemente, é voltar à simplicidade do Evangelho de Cristo, como diz II Coríntios 11:3: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo”. Precisamos resgatar o conselho de Deus, e seguir o Bom Pastor, ao invés de seguir aqueles que se autodenominam profetas e apóstolos.

Não devemos aceitar qualquer ensino, antes, como os fiéis de Beréia,  “examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17:11). Temos que reacender dentro de nossos corações a firme convicção daquilo em que cremos, com base nas Escrituras, e não com base em interpretações e profecias particulares de outrem.

O convite que Deus faz é que nos arrependamos e nos voltemos para Cristo, a fim de receber a vida eterna, como dom gratuito de Sua Graça. Consolemo-nos, pois, com as palavras da I João 5:20-21: “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém”.

A Graça e a Paz sempre de Jesus Cristo nosso Senhor, seja sempre com todos.

Roberto Cesar Alves do Nascimento

 roberto.cesar@bol.com.br

A revisão deste texto foi realizada pelos honrosos servos de Deus:

-            Mary Schultze  e   Marly Pacheco

maryschultze@uol.com.br

-            Wagner Alves da Costa

wagner@cnph.embrapa.br



[1] César Castellanos, Sonha e Ganharás o Mundo, 22

[2] Idem, 19

[3] Idem, 20,21

[4] Dave Hunt, A Sedução do Cristianismo, 153

[5] César Castellanos, Sonha e Ganharás o Mundo, 22

[6] Castellanos, Sonha e Ganharás o Mundo, 22

[7] César Castellanos, Sonha e Ganharás o Mundo, 20

[8] César Castellanos, Sonha e Ganharás o Mundo, 39

[9] César Castellanos, Sonha e Ganharás o Mundo, 137



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