Falar em Línguas

David Cloud - “Tongues Speaking”



        O excerto a seguir é do One Year Discipleship Course. Este potente e novo curso apresenta 52 lições sobre a vida cristã. Ele pode ser dividido em seções e usado como um curso para novos convertidos; um curso para discipulado avançado; numa série para a Escola Dominical, num estudo nos lares, num curso de Instituto Bíblico ou em esboços de pregações. As lições são completas, nutritivas e muito práticas. Existe no programa um extenso programa de memorizar versos e cada lição apresenta questões cuidadosamente planejadas.

A seguir, temos as lições títulos (alguns assuntos com múltiplas lições): sobre Arrependimento, Oração, Fé (para a salvação), Evangelho, Batismo, Segurança Eterna, Posição e Prática, a Lei de Cristo no Novo Testamento, Crescimento e Vitória do Cristão, a Bíblia, a Prova da Bíblia, Estudo Bíblico Diário, Princípios Chaves de Interpretação da Bíblia, Palavras Fundamentais da Bíblia, Conhecendo a Vontade de Deus, Como Tomar Decisões Corretas, a Grande Comissão de Cristo, o Sofrimento, a Vida e a Morte de Cristo, o Tribunal de Cristo, Separação Moral, Testes de Entretenimento, Separação Doutrinária, Jejum, Milagres, um Teste de Hábitos Mentais, Falar em Línguas, Arrebatamento, Como Ser Sábio Com o Seu Dinheiro, O Crente e a Bebida, Aborto, Evolução, Vestir-se para o Senhor, etc.

         The One Year Discipleship Course (Curso de Discipulado De Um Ano)  também está disponível em um livro baixado em nossa livraria online - www.wayoflife.org.




         O dom bíblico de línguas é a ênfase principal dos movimentos pentecostais e carismáticos, porém a Bíblia ensina que esta foi uma prática temporária, limitada às igrejas primitivas. A seguir, temos seis lições importantes sobre a doutrina das línguas.




1. - As línguas bíblicas eram línguas terrenas reais (Atos 2:4-11).

“4 E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 5 ¶ E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. 6 E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7 E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? 8 Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? 9 Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, 10 E Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, 11 Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.” (At 2:4-11 ACF)

         Um fato fundamental sobre as línguas bíblicas é que foram línguas reais, não algum tipo de grunhidos ininteligíveis. A lei da primeira menção é
uma regra importante na interpretação bíblica [esta lei diz que o mais restrito e exato sentido que é evidente e indisputado que uma palavra tem na primeira vez que ocorreu na Bíblia, é o mesmo que tem que ter em todas as suas outras ocorrências] e a primeira vez que vemos o exercício de línguas no Novo Testamento é em Atos 2:6-11. Aqui, vemos que o dom de línguas foi a miraculosa habilidade de alguém falar uma língua que jamais havia aprendido. Pelo menos, 14 ou 15 línguas diferentes são aqui mencionadas. Eram línguas terrenas faladas por homens daquele tempo e os discípulos judeus puderam falar nestas línguas, mesmo que jamais as tivessem aprendido. Não há razão para crer que o dom de línguas mencionado na 1 Coríntios 12-14 seja diferente daquele mencionado no Livro de Atos. Em ambos os casos, tratava-se de línguas terrenas, que alguém poderia aprender. A mesma palavra grega “glossa” é usada em ambos os casos. Esta palavra se refere à própria língua (órgão, conforme Marcos 7:33) ou à linguagem expressa pela língua.



2. - As línguas bíblicas foram um sinal para o incrédulo Israel, com respeito à fundação da igreja, e cessaram, quando o seu propósito foi alcançado (1 Coríntios 14:20-22).
“20 Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento. 21 ¶ Está escrito na lei: Por gente de outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo {*}; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor. 22 De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis {*}, mas para os infiéis {*}; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis.” (1Co 14:20-22 ACF)
{* Israelitas}


         Outra verdade fundamental sobre as línguas bíblicas é que elas foram, principalmente,um sinal para Israel de que Deus estava estendendo o Evangelho a todas as nações. Os coríntios estavam abusando dos dons espirituais (1 Coríntios 3:1);
“E EU, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo.” (1Co 3:1 ACF)

eles estavam se “exibindo” diante uns dos outros. Paulo lhes diz que parem de se comportar como meninos e sejam homens, entendendo o verdadeiro propósito das línguas. Este foi um cumprimento da profecia de Isaías 28:11- 12, a qual foi destinada aos judeus.
“11 Assim por lábios gaguejantes, e por outra língua, falará a este povo {*}. 12 Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir.” (Is 28:11-12 ACF)
{* Israelitas}


         As línguas miraculosas foram um sinal para os judeus incrédulos de que Deus estava falando a todas as nações de homens e os convocando a um novo corpo espiritual, tanto de judeus como de gentios. “Assim por lábios gaguejantes, e por outra língua, falará a este povo” (Isaías 28:11). “Este povo” mencionado por Isaías é a nação judaica, para a qual o profeta estava falando.

         Cada vez que vemos o dom de línguas sendo exercido no Livro de Atos, os judeus estavam presentes (Atos 2:6-11; 10:46; 19:6). No dia de Pentecoste e em Atos 19, foram os próprios judeus que falaram em línguas. Fernand Legrand , um ex-pentecostal, faz a seguinte observação importante:

         “É digno de nota que onde quer que o sinal apareça, é sempre na presença dos judeus,  e onde os judeus não se encontram,  como em Atenas, ou em Malta, também o sinal não se encontra ... É na exata natureza do sinal que se encontra a natureza da sua descrença... O sinal denunciava ou corrigia a sua falta de fé referente à salvação daqueles que falavam línguas, por serem estrangeiros para eles, isto é, os gentios... Mas isto era exatamente aquilo em que os judeus não queriam acreditar. De fato [conforme o Apóstolo Paulo], eles foram os que “mataram o SENHOR Jesus e os seus próprios profetas, e nos têm perseguido; e não agradam a Deus, e são contrários a todos os homens, e nos impedem de pregar aos gentios as palavras da salvação, a fim de encherem sempre a medida de seus pecados; mas a ira de Deus caiu sobre eles até ao fim”.  (1 Tessalonicenses 2:15-16). A ideia de serem igualados aos estrangeiros era mais do que os judeus do primeiro século podiam suportar. Este simples pensamento foi suficiente para por em chamas o seu atavismo judaico. Contudo, esta foi a primeira coisa que eles precisaram entender e, finalmente, admitir. Então, Deus lhes deu o melhor sinal para fazê-los entender o que eles não podiam nem queriam crer. ELE FEZ, MIRACULOSAMENTE, COM QUE OS JUDEUS FALASSEM NAS LÍNGUAS DOS ESTRANGEIROS. AO FAZÊ-LO, DEUS COLOCOU O LOUVOR JUDAICO NAQUELAS LÍNGUAS PAGÃS...

         “Uma simples, porém atenta, leitura da Bíblia revela o cenário da acirrada oposição judaica a tudo que não fosse especificamente judaico. Vemos Jonas odiando os homens de Nínive ao ponto de implorar a própria morte... Se Nínive vive, Jonas deve morrer!... O espírito de oposição e a descrença apenas serão reforçados com o passar dos séculos. Os judeus pertencem a Yavé e Yavé pertence aos judeus, num íntimo círculo de fanatismo, e todos os demais são amaldiçoados...

         Ousar sugerir que pessoas com uma língua diferente da língua deles pudessem ser beneficiadas com a bondade de Deus era como arriscar a própria vida. Eles [os judeus] levaram Jesus até ao cume do monte para o precipitarem dali...” (Lucas 4:29-30) porque Jesus havia dito: “Em verdade vos digo que muitas viúvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por três anos e seis meses, de sorte que em toda a terra houve grande fome; e a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidom, a uma mulher viúva. E muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o sírio”.(Lucas 4:25-27). Aos olhos deles, isto era mais que suficiente para alguém merecer a morte.

         Que narrativa em Atos 22. O prisioneiro Paulo de pé, nos degraus da fortaleza. Ele se dirige à multidão, acenando com uma das mãos,  e fala. Quando ele começa a falar, a multidão queda em silêncio... Mas no instante em que ele começa a dizer; “Vai-te porque hei de enviar-te aos gentios de longe” (verso 21), a frase congela no ar. Eles escutaram até a palavra ”gentios” (ou nações): “E ouviram-no até esta palavra, e levantaram a voz, dizendo: Tira da terra um tal homem, porque não convém que viva. E, clamando eles, e arrojando de si as vestes, e lançando pó para o ar” (versos 22-23). O que os fez explodir daquele modo foi a simples menção de que Deus pudesse ser também o Deus de todos os homens e de todas as línguas.

         “Agora é mais fácil entender por que falar em línguas é o sinal desta grande verdade e que para “este povo” foi o meio de chegar a ela...

         Ele só precisava ser convencido  a abandonar  a sua  descrença particular e a não mais considerar impuro o que Deus considerava puro e as línguas bastante puras para serem faladas pelo Seu Espírito Santo... Este sinal em línguas estrangeiras, conforme a tripla visão de Pedro, ensinou, foi que a salvação é para “qualquer um”, para “toda a carne” e para “todas as línguas”...

         Mas, quem na igreja atual composta de povos, nações, tribos e línguas, precisaria ser convencido?” (Legrand, All About Speaking in Tongues, pp. 24-27. 33).

         É impossível ter uma correta doutrina das línguas sem entender que elas foram um sinal para a nação de Israel da coisa nova que Deus estava fazendo, que era estender o Evangelho a todos os homens e trazer tanto os judeus como os gentios para um novo corpo espiritual.

         Esta clara doutrina bíblica sobre as línguas refuta em primeira mão toda a fala de línguas modernas. Quando os alunos da Escola Bíblica de Charles Panham começaram a falar “em línguas”, em Kansas, 1901, ou quando as línguas explodiram na Missão da Rua Azuza, em Los Angeles , 1906, quais judeus estavam ali presentes? Se é que havia judeus ali presentes, então [a pergunta não pode calar] de que modo poderiam as línguas faladas ter sido um sinal de que Deus estava entregando o Evangelho a todas as nações e criando um novo corpo através do evangelho? Este sinal já havia sido dado há 1.900 anos. Estas são as difíceis perguntas que os pentecostais/carismáticos devem responder. Se alguém respondesse que os judeus ainda precisam do sinal das  línguas, então iríamos indagar: “por que, então, os movimentos pentecostais/carismáticos ignoram este aspecto das línguas? Panham em Topeka e Seymour em Los Angeles, não buscaram as línguas como um sinal para Israel, mas como um sinal do “batismo no Espírito Santo!. O mesmo se aplica às Assembleias de Deus e à Igreja de Deus da Profecia, às Igrejas Pentecostais do Evangelho Quadrangular  e a todas as outras.

         “Após  ler o meu livro, alguém disse: “Para o senhor, tudo se resume a um sinal” Claro que sim! Tome um poste sinaleiro, por exemplo. Você pode discutir amplamente sobre a altura dele, sua forma, cor, fosforescência e tamanho das letras; contudo, por mais exatas que sejam suas observações, ele vai continuar sendo um poste sinaleiro, cujo objetivo  é ser um sinal. O mesmo acontece com o falar em línguas. Por mais que você procure [mas somente na Bíblia, claro] um aspecto sobre línguas que você ainda não tinha percebido, o Espírito Santo vai continuar lhe dizendo que elas [sempre e somente] foram um sinal para os incrédulos de Israel. Neste caso, como em outros, podemos ver que as regras do jogo não estão sendo obedecidas” (Fernand LeGrand - All About Speaking in Tongues, p. 68).

 

3. - As línguas Bíblicas Cessaram  (1 Coríntios 13:8).


         A necessidade das línguas como um sinal para os judeus cessou completamente, antes do final do primeiro século. No Ano 70 d.C., Jerusalém foi destruída pelos exércitos romanos liderados por Tito e os judeus foram espalhados entre as nações. Nesse tempo, os gentios já haviam crido em Jesus Cristo às dezenas de milhares  e igrejas gentias haviam sido estabelecidas através do Império Romano. O propósito do dom de línguas como um sinal para Israel terminou. Israel havia rejeitado o sinal e fora castigado, exatamente como o profeta havia predito. (Isaías 28:11-13).
“11 Assim por lábios gaguejantes, e por outra língua, falará a este povo. 12 Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir. 13 Assim, pois, a palavra do SENHOR lhes será mandamento sobre mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para trás, e se quebrantem e se enlacem, e sejam presos.” (Is 28:11-13 ACF)

Isaías não apenas havia profetizado que Deus iria dar o sinal das línguas, como também que Israel iria rejeitá-lo e ser julgado, o que aconteceu exatamente.


         Na 1 Coríntios 13:8-10,
“8 ¶ O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; 9 Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; 10 Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.” (1Co 13:8-10 ACF)

Paulo ensina que o dom de línguas iria cessar. Ele estava falando sobre os
reveladores da profecia, das línguas e do conhecimento. Não era o exato conhecimento que iria cessar, mas o dom do conhecimento. De igual modo, não seriam as línguas que iriam cessar, mas o dom de línguas. Quando estes dons irão cessar? A passagem indica que eles cessarão em dois estágios. O dom de línguas é tratado separadamente dos dons da profecia e conhecimento. O dom de línguas é mencionado no verso 8 e depois não é mais mencionado, enquanto os dons da profecia e do conhecimento são novamente mencionados nos versos 9 e 10.  Acredito que isto ensina que o dom de línguas iria cessar, concordemente, antes que os outros dois cessassem. Podemos ver isso no Livro de Atos. A última vez que vemos alguém falando em línguas é em Atos 19. Neste ponto da história, a igreja já não tinha qualquer dúvida de que Deus estava chamando os gentios através do Evangelho. Isto havia se tornado muito claro.

         Sabemos que as línguas haviam cessado desde o século IV, porque o pregador João Crisóstomo fez esse comentário sobre a Coríntios 12-14.:

         “Todo este assunto é muito obscuro; mas esta obscuridade é produzida pela nossa ignorância dos fatos a ele relacionados e pela sua cessação, que eles aconteceram, mas agora já não mais acontecem (Homilias sobre a 1 Coríntios, vol. XII. “Os Pais Nicenos e Pós Nicenos”, Hom. 29:2).

         Depois que os sinais foram cumpridos,  é tolice continuar com eles.  Se eu dissesse a alguém que está me esperando no aeroporto que ele me reconheceria porque eu estaria usando um chapéu vermelho, o chapéu vermelho seria o sinal. Depois de nos encontrarmos, e ele ter-me reconhecido, a necessidade do chapéu teria cessado. Seria tolice eu continuar a usar o chapéu vermelho pelo resto da minha vida.

         Então, o dom de línguas cessou, mesmo antes que estas fossem registradas e o Livro de Atos fosse concluído; mas os dons da profecia e do conhecimento continuariam a operar, até que viesse “o que é perfeito” (1 Coríntios 13:10), isto é, fosse completado o Cânon da Escritura Sagrada.

         O último livro da Escritura a ser escrito foi o Apocalipse. João o escreveu em avançada idade, na Ilha de Patmos, e o concluiu com uma solene admoestação divina para nada ser acrescentado ou subtraído “das palavras da profecia deste livro”(Apocalipse 22:18-19). Isto se aplica não apenas ao próprio Livro do Apocalipse, mas a todo o Livro, do qual o Apocalipse é o último capítulo.



4. - As línguas bíblicas eram todas limitadas por direções dos apóstolos - (1 Coríntios 14).

 

         Paulo diz: Não proibais falar línguas (verso 39), mas colocou muitas restrições sobre o uso das línguas. Nunca vi a prática de línguas, nos dias de hoje, ficar restrita às regras apostólicas.

a). As línguas devem ser usadas individualmente e por uma só pessoa (verso 27).
“E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete.” (1Co 14:27 ACF)



b). As línguas devem ser  interpretadas (“e haja intérprete” – verso 27).  Raramente as mensagens em línguas são interpretadas no Pentecostalismo moderno, e quando o são, isso é feito com desvio na “interpretação”,  com algo diferente do que foi expresso.

c. Não deve haver confusão - (verso 33)
“Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos.” (1Co 14:33 ACF)

 sempre que estive num culto pentecostal/carismático, onde o “Espírito estava se movendo”, pensei: “Isso é confusão!” Ali a desordem reinava. As línguas não podiam ser entendidas e aconteciam coisas sem o menor sentido, as quais não se encontram na Bíblia. Mas, sabemos que Deus não é de confusão e isso nos basta.


d. “Às mulheres não é permitido falar em línguas” (verso 34). 
As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei.” (1Co 14:34 ACF)

Paulo aqui se refere à Lei de Moisés, a qual também diz que a mulher está sob a autoridade do homem (Gênesis 3:16; Números 30:3-13).
E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.” (Gn 3:16 ACF)

 “3 ¶ Também quando uma mulher, na sua mocidade, estando ainda na casa de seu pai, fizer voto ao SENHOR, e com obrigação se ligar, 4 E seu pai ouvir o seu voto e a sua obrigação, com que ligou a sua alma; e seu pai se calar para com ela, todos os seus votos serão válidos; e toda a obrigação com que ligou a sua alma, será válida. 5 Mas se seu pai lhe tolher no dia que tal ouvir, todos os seus votos e as suas obrigações com que tiver ligado a sua alma, não serão válidos; mas o SENHOR lhe perdoará, porquanto seu pai lhos tolheu. 6 E se ela for casada, e for obrigada a alguns votos, ou à pronunciação dos seus lábios, com que tiver ligado a sua alma; 7 E seu marido o ouvir, e se calar para com ela no dia em que o ouvir, os seus votos serão válidos; e as suas obrigações com que ligou a sua alma, serão válidas. 8 Mas se seu marido lhe tolher no dia em que o ouvir, e anular o seu voto a que estava obrigada, como também a pronunciação dos seus lábios, com que ligou a sua alma; o SENHOR lhe perdoará. 9 No tocante ao voto da viúva, ou da repudiada, tudo com que ligar a sua alma, sobre ela será válido. 10 Porém se fez voto na casa de seu marido, ou ligou a sua alma com obrigação de juramento; 11 E seu marido o ouviu, e se calou para com ela, e não lho tolheu, todos os seus votos serão válidos, e toda a obrigação, com que ligou a sua alma, será válida. 12 Porém se seu marido lhos anulou no dia em que os ouviu; tudo quanto saiu dos seus lábios, quer dos seus votos, quer da obrigação da sua alma, não será válido; seu marido lhos anulou, e o SENHOR lhe perdoará. 13 Todo o voto, e todo o juramento de obrigação, para humilhar a alma, seu marido o confirmará, ou anulará.” (Nm 30:3-13 ACF)


Contudo, as mulheres têm estado à frente das línguas faladas, desde o início do Pentecostalismo. Uma mulher foi a primeira a falar em línguas, na Escola Bíblica de Panham, em Topeka, Kansas.  Uma mulher foi a primeira a falar em línguas, na Missão Seymour, na Rua Azuza. Um repórter do “Los Angeles Times” visitou a missão, em 17/04/1906,  e observou: “O idoso exortador (Seymour) apressou as “irmãs” a permitir que as línguas viessem e aquelas mulheres se atiraram a um descontrole de fervor religioso”.


e. Tudo deve ser decente (verso 40).
“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.” (1Co 14:40 ACF)

A palavra grega para “decentis” é “euschemonos”, também traduzida como ”decentemente” (Romanos 13:13; 1 Tessalonicenses 4:12). Ela significa decência moral, sinceridade e integridade, como adornos ao Evangelho de Jesus Cristo e da igreja, para que nenhuma censura seja feita ao Seu Evangelho, por causa de nossas ações.


         Quando pensamos no engodo e na fraude prevalecentes no movimento pentecostal/carismático, e quando vemos mulheres supostamente tomadas pelo Espírito, caídas ao chão, de maneira indecente, precisando ser cobertas, é óbvio que as coisas, ali, não estão sendo feitas com decência.

f. Tudo precisa ser feito com ordem - (verso 40)
“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.” (1Co 14:40 ACF)

- O Deus da criação é o Deus da ordem. George Gardiner foi pentecostal durante muitos anos e contou sua decisão de sair do Pentecostalismo, a qual “começou com as preocupantes indagações
sobre o golfo [de distância] entre as práticas carismáticas e as declarações da Bíblia - um golfo muito amplo!” (Gardiner, The Corinthian Catastrophe, p. 8).

         Ele decidiu estudar o Livro de Atos: “Eu reli o livro de Atos, lenta e cuidadosamente, orando assim: ‘Senhor, permite que eu veja o que ele diz e somente o que a Palavra diz. Dá-me a graça de aceitá-lo, se eu estiver errado, e a graça de eu vir a pedir perdão [aos outros], se eu tiver sido indevidamente crítico! A jornada pelo livro de Atos foi um abridor dos meus olhos. As ações e experiências das igrejas primitivas foram totalmente diferentes das ações e experiências dos movimentos [pentecostais/ carismáticos] modernos. E, em alguns casos, até totalmente opostas”. (The Corinthian Catastrophe).

         Descobri a mesma coisa, quando era um cristão jovem. Uma coisa a me convencer que o Pentecostalismo não é bíblico foi que suas “línguas” não eram praticadas de maneira bíblica.  Já assisti a reuniões pentecostais e carismáticas, dúzias de vezes, em várias partes do mundo, e tenho testemunhado que as línguas [sempre] são operadas de maneira [completamente] não bíblica.



5. O método pentecostal/carismático de “falar em línguas” é antibíblico e perigoso

         Se fôssemos concordar que existe ainda hoje o fenômeno de “falar em línguas” , ou de uma “oração em linguagem particular”,  e que isso nos ajudaria a viver uma vida cristã melhor... E se fôssemos aceitar o desafio dos pentecostais/carismáticos para tentar tal coisa, a pergunta seria: ”Como posso começar a falar em línguas ou a fazer ‘a oração em linguagem particular’”?  A típica resposta seria esta:

Primeiro Passo - o primeiro passo, conforme dizem, é deixar de analisar as coisas e se abrir para novas experiências. Um capítulo do livro “These Wonderful Gifts”  tem como título: “Letting Go and Letting God” [no sentido de“Deixe as coisas rolarem, e deixe Deus lhe controlar”], onde o crente é instruído a deixar de analisar as experiências muito cuidadosa e estritamente, deixar de estabelecer “sistemas de alarme” e de “se esconder, cautelosamente” por trás de muros de proteção. Ele diz que o crente deve sair do esconderijo protegido pelos muros dos sistemas infalíveis e se abrir para Deus. Isso é um passo necessário, porém não é bíblico, tornando-se excessivamente perigoso, no sentido de se receberem experiências carismáticas. A Bíblia adverte o crente: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pedro 5:8). Então, devemos permanecer no controle de nossa mente, a fim de evitar quaisquer influências estranhas e prejudicais. Isso é o exato oposto do que esse capítulo daquele livro nos aconselha.

Segundo passo - Tendo parado de analisar a Escritura, o método normal do “dom de línguas” e da “oração em linguagem particular”, será o crente abrir a boca e começar a falar palavras ininteligíveis. Então, Deus tomará o controle. [N.T. - Mas qual Deus? Não será o “deus deste mundo”?].

         Isto é tão grosseiramente antibíblico e insensato que parece desnecessário ser refutado.  Não existe coisa alguma semelhante a isso, no Novo Testamento. Ignorar a Bíblia é buscar algo que ela nunca ensina que se busque, através de meios que ela não apoia; é abrir-se, perigosamente, a experiências religiosas, que podem colocar o crente em perigo de receber “outro espírito” (2 Coríntios 11:14).
“E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.” (2Co 11:14 ACF)

A Bíblia diz que existem espíritos enganadores, que procuram influenciar os cristãos, o quais se apresentam como “anjos de luz” e ministros de Deus (2 Coríntios 11:13-15 e Mateus 24:24).

“13 Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. 14 E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. 15 Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras.” (2Co 11:13-15 ACF)
“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” (Mt 24:24 ACF)

         A Bíblia ensina claramente que “falar em línguas”  foi um milagre divino, soberanamente entregue (1 Coríntios 12:11).
“Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.” (1Co 12:11 ACF)

Os discípulos não o buscaram, no dia de Pentecoste, nem tiveram lições de como recebê-lo. Não existe evidência alguma de que os discípulos esperavam falar em línguas, no Livro de Atos, pois isso lhes foi dado, soberanamente. Em nenhum exemplo, eles estiveram tentando falar em línguas.




6. As línguas bíblicas não foram faladas por todos os cristãos, nem mesmo no primeiro século.

         Paulo indaga: “Falam todos diversas línguas?” (1 Coríntios 12:30). A questão é retórica e a resposta é NÃO!  Uma simples pesquisa no Livro de Atos prova claramente que nem todos os crentes na igreja primitiva falavam em línguas. Até no dia de Pentecoste, enquanto os discípulos, que estavam no cenáculo, falavam em línguas (Atos 2:4), os que foram salvos, no mesmo dia, através da pregação de Pedro, não falaram em línguas (Atos 2:40-42).  Os judeus que creram (conforme Atos 4:4 e 6:7) não falaram em línguas. As primeiras pessoas que foram salvas em Antioquia, conforme Atos 11:20-21, não falaram em línguas. Lídia e o mordomo, salvos conforme Atos 16:13-15, e também o carcereiro de Filipos e sua família, salvos conforme Atos 16:30-33, não falaram em línguas. Os que foram salvos em Tessalônica,  em Bereia e em Atenas, conforme Atos 17:4, 12 não falaram em línguas. Crispo e outros que foram salvos em Corinto, conforme Atos 18:8, não falaram em línguas. Os que creram em Éfeso, conforme Atos 19:17-19, não falaram em línguas.

         Não existe ênfase alguma sobre as línguas sendo faladas, no Novo Testamento. Esse dom foi exercido apenas 3 vezes no Livro de Atos e a vasta maioria dos crentes [no Novo Testamento] jamais o usou [ou o presenciou]. Para criar uma ênfase sobre o falar em línguas, conforme se encontra no Movimentos pentecostal e carismático, alguém deve ter lido muitas passagens que não se encontram na Bíblia, o que não é uma honesta maneira de se usar as Escrituras.

         Para um estudo mais amplo sobre  o falar em línguas, ver [o livro] “Pentecostal/Charismatic Movements”, o qual está disponível no “http://wayoflifeliterature.org”.  Nesse livro, tratamos da “oração em linguagem particular”, do batismo no Espírito Santo, da plenitude do Espírito Santo, do batismo de fogo, das línguas como sinais para os crentes, da interpretação de línguas, do falar em línguas na ICAR e nas seitas, e de muito mais coisas.

 

David Cloud - Tongues Speaking”, 22/03/2012.

Traduzido por Mary Schultze, em 23/12/2012.

www.marybiblia.com