Apóstolos & Profetas:
Afirmações Modernas de Liderança





Craig W. Booth

 

Prefácio:

 

         Originalmente escrito em 1985, este livro fez um exame de uma doutrina que estava sendo ensinada por uma pequena denominação de igrejas domésticas, à qual eu havia pertencido. Esta denominação especial era liderada por um homem que no final declarou-se como “o” apóstolo, pastor e supervisor de toda a denominação. [N.T. - Deve ser o Peter Wagner, hem?]. Após alguns anos dessa proclamação, a denominação entrou em considerável conflito interno, não exatamente sobre a doutrina do apostolado e governo da igreja, mas a respeito da ética e do caráter daqueles auto-proclamados apóstolos e auto-nomeados profetas. Hoje em dia essa denominação sobrevive, porém diminuiu em mais de um terço do que era em 1985, tendo abandonado o nome denominacional que a distinguia, de acordo com o movimento pós-moderno do buscador. A essa denominação faltavam o desejo e o discernimento para identificar e implementar os “exames críticos das evidências do apostolado”  encontrados no Novo Testamento, os quais nos são dados como meio de validar as modernas reivindicações de apostolado.

         Estranhamente, a tendência  no sentido de ressuscitar o dom do apostolado tornou-se difundida em outras denominações [N.T. - Um abismo chama outro abismo]. E o movimento tem-se agigantado a partir de muitas fontes. Na história recente, o apostolado tem versado principalmente sobre o domínio das igrejas menores do “full gospel”, porém já não é este o caso quanto à indução no sentido de reavivar o ofício, o qual continua em vigor.  Na verdade, livros recentes  defendendo a necessidade de apóstolos geográficos têm obtido considerável leitura e leal adesão. À parte dos argumentos pragmáticos oferecidos pelos defensores do apostolado, existe uma gama de discussões que devem ser conduzidas.  Por trás desse movimento de reanimar o ofício está a doutrina bíblica do apostolado e sua inseparável contraparte - a profecia. Qual é o legítimo ensino bíblico referente ao apostolado e ao dom da profecia? Quando não se interpreta corretamente a Escritura sobre este ponto, é impossível ter uma base bíblica na qual se firmar, significando que o resultado final será negativo. Até mesmo o mais entendido entre nós irá encontrar surpresas substanciais durante um estudo imparcial e profundo sobre este assunto. Ao que me consta, este livro on-line é tão importante agora como o foi em 1985.

         Quero expressar minha apreciação à minha esposa pelo seu processamento nas palavras a respeito deste livro. É tanto o nosso desejo como esperança que vocês possam considerar este livro tão útil como edificante para o seu crescimento cristão.

 


Apóstolos – Introdução


        Este livro informal on line pretende ser um complemento de Provérbios 18:17: “O que pleiteia por algo, a princípio parece justo, porém vem o seu próximo e o examina”, visto como  se refere ao que outros têm estado ensinando com respeito às antigas doutrinas de 2.000 anos sobre o apostolado e a profecia, mais especificamente no que diz respeito à suas modernas aplicações.

        Antes de começar, desejo oferecer minhas pressuposições básicas, sem defesa:

1. - Pouco do que esta obra vai dizer é exclusivo ou original deste escritor.  Minhas conclusões talvez tenham sido delineadas em data anterior talvez muitas vezes com maior clareza e mais concisamente do que agora. De fato, quando concluí esta obra, achei que minhas conclusões nem sempre diferiam significativamente de muitos líderes cristãos do passado como dos que ainda vivem. Isto, eu creio, combina com o princípio da 2 Pedro 1:20: “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum...” Devido ao ambiente eclesiástico em que se encontrava a minha igreja, quando comecei esta pesquisa, achei que muito do meu trabalho era original. Quando o terminei, encontrei, já existentes sobre este assunto, tratados superiores ao meu, demonstrando que eu pensei demais, antes de resolver escrever. Esta obra apenas consolida e organiza essa pesquisa numa única fonte, de maneira, eu espero, que possa ajudar os que agora estão perguntando: “Pode ser sistematicamente comprovado pelas Escrituras  que a igreja deveria ter ou não apóstolos e profetas governando, hoje em dia?”

2. - A Escritura é inerrante e exata, conforme 2 Timóteo 3:16-17 “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”.

3. - Existe apenas uma interpretação absolutamente correta para cada passagem da escritura podendo ter, contudo, muitas aplicações.

4. - Esta obra pode conter erros de impressão, lógica ou conteúdo, em partes, por causa da exata falibilidade de um escritor muito humano. Contudo uma tentativa fidedigna e honesta foi feita no sentido de tratar corretamente a Palavra de Deus, da maneira mais exata possível.

5. - Esta obra não vai expor, exaustivamente, todos os possíveis pontos de vista.




Apostolado, uma doutrina importante


         Por que é tão importante saber se os apóstolos modernos são endossados pela escritura?

        Primeiro, se ensinamos que o apostolado é um dom para os homens de hoje, admitindo que Deus não pretendia que ele continuasse indefinidamente, então  seríamos culpados de ensinar os homens a se tornarem falsos apóstolos. E qual seria o resultado de uma igreja que estivesse sendo governada por falsos apóstolos? Tal é a magnitude da seriedade em abraçarmos uma resposta errada a esta pergunta.

        Segundo, Se este é um dom para hoje e não estamos ensinando-o como tal, então somos culpados de negligenciar um poderoso dom espiritual.




Definição de Apostolado


Nossas Escrituras do Novo Testamento foram traduzidas da língua grega. Já que isso é verdade, uma rápida olhada na palavra grega traduzida para o Inglês vai ajudar muito a nossa compreensão.

         Apalavra inglesa “apostle” provém da palavra grega “apostolos”. Para o povo do primeiro século ela significava “mensageiro, alguém enviado em uma missão...” (Holman-Greek Dictionary). O povo do Novo Testamento usava a palavra livremente para se referir àqueles que haviam sido enviados por uma pessoa específica para um propósito ou missão específica.

As coisas importantes sobre ser um apóstolo (apostolos) eram:

        

1. - De quem você era apóstolo? Quem de fato o enviou?

2. - Qual a missão que esteve a seu encargo? Qual o propósito para o qual você foi enviado?   

 

“Apostolos” significa alguém enviado numa missão. Esta palavra é derivada diretamente da palavra grega “apostello”, uma forma verbal que significa “enviar, mandar para longe” (Holman). A conexão é muito significativa. Entendia-se que a palavra grega “apostello”  significava “comissionar alguém para ir numa missão, enviar alguém para longe, como seu apóstolo”. Simplesmente colocado, ser apóstolo (apostolos) de alguém exige que primeiro alguém seja enviado por aquela pessoa com um propósito definido (apostello). Por exemplo: “Estou enviando (apostello) você para Kansas City, a fim de entregar uma carta minha. Agora você é o meu apóstolo (apostolos). Se você não for especificamente comissionado por alguém com um propósito definido, então você não é um apóstolo. O problema real é determinar quem ou por que alguém o enviou. [N.T. - Nesse caso, os entregadores de correspondência dos correios são mais apóstolos do que os tais auto-nomeados apóstolos modernos].



 

Uma Autoridade




APOSTELLO - (Enviar um subordinado para uma missão, comissionando-o).

 

SUBORDINADO -    APOSTOLOS -  (O subordinado que é enviado numa missão).

Agora cada vez que encontrarmos na Bíblia a palavra  APÓSTOLO “apostolos”, devemos perguntar:

1. - Quem enviou (apostello) este apóstolo (apostolos)?

2 - De qual missão está encarregado este apóstolo (apostolos)?

         Se eu disser que “sou um apóstolo”, alguém na certa vai indagar: “Quem o enviou?” Então eu respondo: “Meu avô”. Outra pessoa me pergunta: “Qual é a sua missão?” Eu respondo: ”Estou levando uma mensagem do meu avô para minha avó”. Desse modo, outra pessoa poderá concluir corretamente: “Então você é um apóstolo (apostolos) do seu avô para a sua avó”. Finalmente, eu respondo: “Acertou”.

        A palavra apóstolo (apostolos) não significa automaticamente “um apóstolo de Jesus Cristo”, como caso de Pedro (1 Pedro 1:1). Pedro foi enviado por Jesus como uma literal testemunha ocular de Sua Ressurreição (2 Pedro 1:16). A palavra “apostolos” pode ser usada no Grego simplesmente para mostrar que alguém é um mensageiro comum, conforme os exemplos fictícios supra citados, bem como para designar que alguém é “um apóstolo de Jesus Cristo”. O contexto e um cuidadoso questionamento são necessários para se discernir a diferença.

         Um exemplo bíblico de “apostolos” significando apenas um mensageiro com nenhuma outra significação pode ser encontrado na 2 Coríntios 8:23: “Quanto a Tito, é meu companheiro, e cooperador para convosco; quanto a nossos irmãos, são embaixadores das igrejas e glória de Cristo.” Quem são esses embaixadores? A 2 Coríntios 8:16 certamente inclui Tito; contudo, os “embaixadores” citados na 2 Coríntios 8:23 são dois outros irmãos que foram com Tito. Um embaixador é citado no verso 18 como “aquele irmão cujo louvor no evangelho está espalhado em todas as igrejas”. O outro irmão é citado como “... nosso irmão, o qual muitas vezes, e em muitas coisas, já experimentamos ser diligente...” (22)

         Apliquemos agora os dois critérios de apostolado a ““aquele irmão cujo louvor no evangelho está espalhado em todas as igrejas” e ““... nosso irmão, o qual muitas vezes, e em muitas coisas, já experimentamos ser diligente...”. Quem os enviou? De quem eles eram apóstolos? Os versos 17-18 declaram que [Tito] “aceitou a exortação”, enquanto o verso 19 diz que ele “foi escolhido pelas  igrejas”. O verso 22 diz: “Com eles enviamos também outro nosso irmão”; finalmente, o verso 23 declara: “são embaixadores [mensageiros] das igrejas e glória de Cristo”. Neste caso, eles não são apóstolos nomeados por Jesus Cristo, pois não eram Suas testemunhas oculares, mas eram “apóstolos enviados” pelas igrejas e por Paulo – apóstolos de homens.

         Agora que sabemos que Cristo não “os enviou”, devemos indagar: “Qual era a missão desses dois ‘enviados’ viajando junto com Tito?” Quando olhamos cuidadosamente nas 2 Coríntios 8 e 9, vemos que a missão envolvia a coleta e o transporte de ofertas voluntárias para os santos pobres.  Na 2 Coríntios 8:1-4, vemos que as igrejas da Macedônia ofertaram “Como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente, pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos”.

            A missão desses mensageiros enviados por Paulo e as igrejas da Macedônia destinava-se a assegurar que as ofertas voluntárias que os de Corinto haviam zelosamente prometido, seriam coletadas e preparadas antes da chegada de Paulo. Desse modo, Paulo e os coríntios ficariam a salvo da embaraçosa possibilidade de ficar com algum donativo grande,  ou mesmo um pequeno [como o faz a maioria dos pentecapastors de hoje]. Em resumo, esses apóstolos de homens estavam com a missão de entregar as instruções sobre a coleta dos donativos, ou então de organizar e ter à mão a coleta de fundos dos coríntios. Desse modo, fica claro que Tito e os dois irmãos para os propósitos dessa missão são apenas mensageiros comuns de Paulo e das igrejas da Macedônia.

         A partir deste exemplo, fica fácil estabelecer os dois critérios de apostolado para determinar se “apostolos” significa “apóstolo de Jesus Cristo” ou “mensageiro de homens”. Tanto um como o outro irmão do verso 23 eram mensageiros comuns, levando instruções de Paulo e das igrejas, de como coletar e entregar o dinheiro. Conquanto dando um excelente exemplo de serviço no estilo de “diáconos”, essas duas figuras não são apresentadas como “apóstolos de Cristo”.

        Devem-se aplicar sempre estas duas questões para determinar se a palavra “apostolos” é usada na Escritura para designar “um apóstolo de Jesus Cristo” ou apenas “um mensageiro comum de homens”. O contexto é a coisa mais importante, quando se conduz um estudo de palavras nas Escrituras.

 


Enviando Apóstolos


Enviando os Doze e Paulo

 

         Para ser um apóstolo (apostolos) alguém deve ser enviado para um propósito definido (apostello). Quando a  Bíblia chama homens de “apóstolos de Jesus Cristo”, torna-se absolutamente necessário que possamos determinar - a parir da Bíblia - quem fez o envio (quem comissionou). Alguns homens foram feitos apóstolos por Jesus Cristo? Pelo Espírito Santo? Pelos anciãos da igreja ou simplesmente por sentirem pessoalmente que haviam sido chamados? Claro que este problema poderá ser respondido apenas pela Escritura. Qualquer resposta que não estivesse embasada na Escritura torna-se-ia antibíblica e poderia facilmente conduzir à heresia.

         Conforme Mateus 10:1-2, o próprio Cristo convocou os doze apóstolos e deu-lhes toda autoridade para operar milagres. Em Lucas 6:13, novamente encontramos que o próprio Jesus nomeou os doze apóstolos. Este é um ponto óbvio e carece de pouca discussão.

         Isso foi exclusivo apenas aos doze apóstolos? Eles eram os únicos “apóstolos de  Jesus Cristo”? Existiram quaisquer outros apóstolos além dos Doze mencionados nos evangelhos? Sim! Sabemos de pelo menos mais um: Saulo (Nome hebraico de Paulo) de Tarso. Foi exatamente este homem quem escreveu quase a metade das Escrituras do Novo Testamento.

        Conforme Romanos 1:1, Paulo se auto-intitula apóstolo. Na 1 Coríntios 1:1, Paulo se intitula “apóstolo de Jesus Cristo”, bem como na 2 Coríntios 1:1, em Gálatas 1:1, em Efésios 1:1, em Colossenses 1:1, na 1 Timóteo 1:1 e em Tito 1:1.

        Do mesmo modo, Pedro se auto-intitula “apóstolo de Jesus Cristo” na 1 Pedro 1:1. Agora sabemos que Pedro foi enviado pelo próprio Jesus Cristo como um dos Doze. Paulo reivindica o mesmo título de “enviado por Jesus Cristo”, como Pedro o fez. Isso é válido? Será que Jesus Cristo de fato enviou (apostello) Paulo? Quando Pedro foi comissionado, Jesus ainda estava vivo na Terra. Quando Paulo foi enviado, Jesus já havia morrido há alguns anos, havia ressuscitado e subido ao céu. Como, então seria possível que Jesus tivesse comissionado Paulo? Será que Paulo não quis dizer que a igreja [ou talvez o Espírito Santo] o havia feito apóstolo?

        A Escritura declara em Gálatas 1:1: “PAULO, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos)”. Paulo não foi enviado por homens, nem por igreja alguma. Ele nem sequer diz que o foi pelo Espírito Santo, “mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai.” Novamente a Escritura diz: “Jesus Cristo, nosso Senhor... Pelo qual recebemos a graça e o apostolado” (Romanos 1:4,5). O apostolado de Paulo veio por meio de Jesus Cristo, não de homens, igrejas e nem mesmo do Espírito Santo.

         Em Atos vemos a narrativa de Paulo do seu real chamado, conforme entregue a Lucas pelo próprio Paulo:

“E ele [Ananias] disse: O Deus de nossos pais de antemão te designou para que conheças a sua vontade, e vejas aquele Justo e ouças a voz da sua boca” (Atos 22:14).

E aconteceu que, tornando eu para Jerusalém, quando orava no templo, fui arrebatado para fora de mim. E vi aquele que me dizia: Dá-te pressa e sai apressadamente de Jerusalém; porque não receberão o teu testemunho acerca de mim... E disse-me: Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe”. (Atos 22:17,18,21).

No verso 21 a palavra “enviar” é “exapostello” no grego. O Cristo ressuscitado disse pessoalmente a Paulo: “Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe.”.

Existe pouca justificativa para deixar de mostrar o fato de que Deus achou por bem nos contar uma vez mais, que Paulo foi enviado (apostello) como apóstolo de Jesus Cristo pessoalmente, pelo próprio Cristo.

“E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; mas levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda; livrando-te deste povo, e dos gentios, a quem agora te envio, para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (Atos 26:15-18).

         No verso 17 Cristo diz: “... dos gentios, a quem agora te envio (apostello)”.

            Não resta a menor dúvida de que foi o próprio Jesus Cristo quem apareceu pessoalmente a Paulo e lhe entregou verbalmente o seu título apostólico, enviando-o numa missão “para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz”.

            Será que Paulo acreditava ser um apóstolo verdadeiro enviado numa missão aos gentios, a fim de declarar o Evangelho do Cristo ressuscitado como Salvador?

“... não fui desobediente à visão celestial. Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento” (Atos 26:19-20). Além disso, Paulo declara: “Porque convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios, exalto o meu ministério” (Romanos 11:13).

         Alguns têm argumentado que homens podem se tornar apóstolos quando um profeta conhecido recebe uma palavra de profecia, para então declarar: “O Espírito Santo nomeia fulano para ser um apóstolo”. Mas não foi isso que aconteceu com Paulo. Deus quis que soubéssemos que o próprio Jesus Cristo apareceu a Paulo e que Ele mesmo o nomeou; e muitas vezes a Escritura repete exatamente isso. Foi por uma aparição de Cristo a Paulo ... E foi por causa disso que Paulo se tornou uma testemunha ocular do Cristo ressuscitado dos mortos e agora podia declarar com autoridade que havia visto o próprio Cristo ressuscitado.

        Parece que a razão pela qual tanto se deseja que a chamada [missionária] de Paulo tenha vindo de outra fonte, que não fosse Cristo, é que também podem-se fazer apóstolos sem que estes tenham sido nomeados pelo próprio Cristo.  Em outras palavras, deseja-se poder receber o título e a autoridade que Paulo apresentava, sem receber a mesma comissão e do mesmo modo. Contudo, Deus deixou abundantemente claro que o próprio Cristo nomeou Paulo como Seu apóstolo. A nomeação de Paulo foi através de uma aparição direta do Cristo ressuscitado. A nomeação dos Doze foi feita por Jesus Cristo, enquanto Ele ainda vivia em forma de homem aqui na Terra, e todos eles se tornaram testemunhas oculares do Seu triunfo sobre a morte, quando O viram, falaram e comeram com Ele, em seguida.



Atos 13 - Paulo e Barnabé são enviados


        Antes de prosseguir, examinemos a passagem de Atos 13:2-4, onde algumas afirmações dizem erroneamente que Paulo é nomeado ao apostolado por declaração profética, através do Espírito Santo. À medida em que vocês forem lendo, guardem em mente que Atos 13 acontece quatro anos após ter Paulo recebido a visita do Cristo ressuscitado, ordenando que ele se tornasse o apóstolo aos gentios.

            “E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram. E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre” (Atos 13:2-4).

         O argumento espúrio acontece deste modo: Paulo não é citado como sendo um apóstolo em parte alguma, antes de Atos 13, portanto ele ainda não era um apóstolo. Em Atos 13 o Espírito Santo, através de uma profecia sobrenatural da Escritura torna Paulo um apóstolo. Em Atos 14, Paulo já é citado como “um apóstolo”  e assim permanece até sua morte.

        O problema óbvio com esta teoria é que Paulo nunca afirma que foi nomeado apóstolo através de uma profecia do Espírito, em Antioquia. De fato, em todas as defesas do seu apostolado Paulo sempre afirma que Cristo o fez apóstolo, anos antes daquela data, e nunca que o Espírito Santo o nomeou. Além disso, ele nega que qualquer igreja o tenha enviado como apóstolo (Gálatas 1:1).

        Então, se formos honestos com as palavras da Escritura, veremos que Atos 14 é a única passagem em todo o Livro de Atos que menciona ser Paulo “um apóstolo”. Assim, em Atos 15:2-4, quando Paulo “sobe para Jerusalém aos apóstolos” por acaso isso mostra que Paulo perdeu o seu apostolado? Se quisermos ser consistentes em admitir que quando alguém não é chamado apóstolo em Atos, então ele não é apóstolo de modo algum, seríamos forçados à conclusão de que Paulo perdera o seu apostolado. Se a teoria é válida, (a de não ser chamado apóstolo numa parte de Atos, é o mesmo que não ser apóstolo) nesse caso, Paulo deveria estar “subindo a Jerusalém para os OUTROS apóstolos” e deveria ser chamado apóstolo até o final de Atos. Contudo, Atos 14 é o único lugar que chama Paulo de apóstolo em todo Livro de Atos. Em outras palavras, Paulo era tanto um apóstolo de Jesus Cristo em Atos 9:20 como em Atos 13:2, Atos 14:14, Atos 15:38 e Atos 26:19, porque Jesus Cristo o tinha enviado como apóstolo no dia de sua salvação.

         A teoria de que não foi senão até Atos 13 que Paulo se tornou apóstolo (em vez de já em sua conversão, conforme o seu próprio testemunho) tem como principal argumento que a igreja “enviou” Paulo e novamente no verso 4, que o Espírito Santo enviou Paulo. Contudo, aplicando um pouco de escrutínio, podemos ver que em Atos 13:3, onde a Igreja de Antioquia  enviou Paulo, a palavra em Grego diz realmente que a igreja “deixou livre, liberou, franqueou” (no Grego, apoluo) Paulo. Isso quer dizer que a igreja não tentou trazer Paulo de volta, mas foi-lhe permitido seguir livremente; A igreja liberou Paulo; ele foi enviado por ela mesma, sem amarras. Eles não o enviaram (apostello) como apóstolo, mas o liberaram (apoluo).

         No verso 4, “enviado pelo Espírito Santo” é de fato enviar para longe (ekpempo). Em outras palavras, Paulo foi liberado da igreja e enviado para outra localidade pelo Espírito, de modo que ele pudesse continuar a missão apostólica que lhe fora entregue por Cristo, anos antes daquele tempo. O Dr. Homer Kent, do Grace Theological Seminary,  na página 56 do Comentário do Livro de Atos, descreve como o tempo gramatical  nos exige compreender que a “chamada” (comissão) foi realmente num período de tempo anterior aos eventos de Atos 13:4. Então, este verso diz realmente que o Espírito Santo estava dando direções como “saia agora para fazer a missão  que lhe foi dada antes”.

         A palavra “Ekpempo” (enviado para fora) não tem qualquer significado de comissão a ela atado. Se a pessoa é enviada numa missão, a comissão precisa ser feita  em data anterior, do que a “ekpempo” - mandar para longe. “Ekpempo” significa apenas preparar alguém para ser enviado para longe de algum lugar. O Espírito simplesmente disse a Paulo para ir embora de (ekpempo) Antioquia.

         Esse modo de dar direções através de pronunciamento profético pelo Espírito Santo aos homens já não é uma comissão apostólica como a do outro tempo em que o Espírito Santo dava direções aos homens. Notem que a missão (chamada) é mencionada como tendo sido já entregue a Paulo por Deus em algum tempo anterior. Lembrem que o Espírito Santo é freqüentemente o porta-voz de Deus. O Espírito não está necessariamente afirmando ter chamado Paulo e Barnabé, mas pode estar simplesmente repetindo a mensagem que lhe foi dada por Deus Filho - Jesus Cristo. Parafraseado, uma possível interpretação pode ser: “O Espírito Santo lhes entregou esta mensagem de Deus, o Filho: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”.  (Atos 13:2).

         Esta é a exata experiência que vemos explanada em Atos  4:24-25 “E, ouvindo eles isto, unânimes levantaram a voz a Deus, e disseram: Senhor, tu és o Deus que fizeste o céu, e a terra, e o mar e tudo o que neles há;  que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram os gentios, e os povos pensaram coisas vãs?” Deus usou o Espírito Santo para dar a Davi a profecia bíblica. As palavras, contudo, não são atribuídas ao Espírito Santo, mas a Deus, como o iniciador da mensagem, sem afirmar que era Ele mesmo. O Espírito Santo entregou a mensagem de Deus como o iniciador da mensagem, sem afirmar que era dEle mesmo. Em outras palavras, o Espírito entregou a Paulo e à igreja a mensagem de Deus. O Espírito Santo não disse ter chamado Paulo e Barnabé, mas  entregou a mensagem de Deus, a qual declara que Ele havia chamado previamente Paulo e Barnabé para fazer a mesma obra.

         Encontramos através da Escritura que o Espírito Santo conduziu homens sem que essa direção fosse considerada uma nomeação apostólica. Em Mateus 4:1 Jesus foi levado ao deserto; em Atos 8:29 a Felipe (o diácono e evangelista) foi dito para juntar-se à carruagem; em Atos 10:19 foi dito a Pedro para ir com os gentios. O fato é simples: em nenhuma parte em toda a Escritura é presumido que a direção do Espírito Santo seja uma nomeação apostólica, então porque admiti-lo em Atos 13:4?

         Em quase cada carta que Paulo escreve ele afirma ter recebido o apostolado através de Jesus Cristo - não do Espírito Santo. Em Atos 2 e 26, Paulo diz que foi enviado (apostello) aos gentios pelo próprio Cristo, no dia de sua salvação. É claro que Paulo foi nomeado por Cristo como um apóstolo no dia de sua salvação e, conseqüentemente, teve a sua vida conduzida pela preparação do Espírito Santo.  (Atos 16:16).




Treze Apóstolos


        A controvérsia sobre os “outros apóstolos” foi evitada até agora, de propósito. Primeiro, os fatos sólidos e claros precisavam ser estabelecidos, a saber, que os Doze e Paulo eram apóstolos de Cristo e que o próprio Cristo foi Aquele que os chamou.

         Se existem outros apóstolos (além de Matias) encontrados na Escritura eles não  serão contados com os Doze. Os Doze tinham uma posição exclusiva na Cristandade. Mesmo tendo Cristo um grupo leal de seguidores, Ele originalmente escolheu apenas Doze (Marcos 3:14-15) “E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar, e para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios”.

         Conforme vemos em Atos 1, Matias foi escolhido para substituir o falecido traidor (suicida) Judas Iscariotes. Uma das qualificações para o grupo dos Doze era ter acompanhado Jesus desde o início do Seu ministério (Marcos 3:14 e João 15:27). Uma vez que já conhecemos pelo menos dois homens que eram prontamente qualificados, isso aumenta imediatamente nossa compreensão de que pelo menos 14 homens seguiam Jesus desde o início e até a Sua Ressurreição. Quase certamente havia outros, talvez uns 120 homens e mulheres que estiveram constantemente com Jesus (Atos 1:15).

         Mas por que, então,  substituir Judas? Pedro usa os Salmos 69:25 e 109:8 para  mostrar que o inimigo de Deus, especificamente o traidor Judas, precisava ter o seu ofício preenchido por outro homem. Esses versos foram aceitos como profecias referentes exatamente a Judas. Então eles deduziram que o Senhor já havia selecionado Barsabás ou Matias para ser contado como um dos Doze  (Kent p. 8).  Não nos é narrado se um ou ambos estes homens foram selecionados como apóstolos de Cristo pelo Senhor, antes de Sua Ressurreição; mas, simplesmente que não foram contados como parte dos Doze; então, quase com certeza Matias e Barsabás já seriam apóstolos. Uma provável explicação é que tanto Matias como Barsabás fizeram parte dos setenta, ou possivelmente foram nomeados apóstolos, antes de Cristo deixar a Terra, após Sua Ressurreição e antes de Sua Ascensão.

        Uma vez que os onze admitiram que Deus já havia escolhido um dos dois como apóstolo a ser incluído no grupo dos Doze, eles resolveram usar os dados para descobrir quem teria sido escolhido (Provérbios 16:33, Levítico 16:8). Quando o dado caiu em Matias ele foi contado ou considerado como um dos Doze, sem precisar da imposição de mãos ou de qualquer outra cerimônia registrada. Foi admitido que somente Deus o havia feito apóstolo para ser um dos Doze. Desse modo, os outros onze não ousaram afirmar que eles fizeram ou até mesmo nomearam Matias para ser apóstolo, pois somente Deus poderia tê-lo feito. Foi, portanto, admitido que Deus havia previamente escolhido Matias. (Kent p. 8).

        Essa escolha foi certa ou errada? Não poderia ter sido Paulo o 12º apóstolo em vez de Matias? Conforme Kent nos explica, o Pentecoste estava para acontecer e a era da igreja iria começar. É difícil acreditar que Deus tivesse desejado começar a era da igreja com uma turma de onze e não de doze. A Escritura também jamais declara em parte alguma que tenha havido uma escolha errada. Para  os que argumentam que Matias não foi um apóstolo, esses devem antes provar pela Escritura que Matias não o foi realmente e que os onze apóstolos cometeram um erro doutrinário e profético.  

O argumento mais forte é que Matias foi realmente um apóstolo verdadeiro, que ele foi contado entre os Doze e que a Escritura afirma isso. Através de todo o Livro de Atos, e até mesmo nas Cartas de Paulo, os Doze são mencionados como um grupo à parte da presença de Paulo. Este jamais denunciou Matias ou exigiu fazer parte dos Doze. O Livro de Atos sempre menciona os Doze, não os Onze. De fato, se Matias tivesse sido realmente um erro, por que Lucas não nos contou isso e por que ele continuou a mencionar “os Doze” sem qualquer explicação? Parece que os apóstolos estavam certos (e quem poderia saber melhor do que eles?), quando admitiram que Deus já havia selecionado Matias como um apostolo e parte dos Doze.

Com a escolha dos Doze já estabelecida e tendo Paulo como o 13º Apóstolo de Jesus Cristo, é importante identificar as missões que lhes foram entregues por Cristo. Indagamos: “Será que a missão de Paulo é diferente da missão dos Doze?”

 

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“Apostles and Prophets: Validating Modern Claims of Leadership”  (An on-line book).

Autor: Craig W. Booth


Traduzido por Mary Schultze, 01/07/2007.






Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).




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