IGREJA DE CRISTO INTERNACIONAL MOVIMENTO DE BOSTON



1. Em busca da Igreja Verdadeira

            Qual é a única Igreja verdadeira? Onde encontrá-la? Quem são os verdadeiros cristãos nos dias de hoje? E que dizer do discipulado bíblico? Ainda existe da mesma forma como ocorria na Igreja Primitiva? Estas são perguntas interessantes, que revelam o desejo sincero de muitos em conhecer a verdadeira Igreja de Cristo e o genuíno discipulado bíblico. Contudo, por meio deste desejo legítimo, muitos acabam tornando-se vítimas de grupos anticristãos. Estes estão enganando a muitos discípulos de Cristo, ensinando ser a restauração da Igreja Primitiva, partindo do princípio de que a Igreja que Jesus fundou no primeiro século apostatou (isto é, desviou-se) da verdadeira fé, dos ensinamentos de Cristo, por volta do ano 100 d.C. Assim, a fim de salvar o mundo por meio da pregação do Evangelho, da Boa Notícia, esses grupos afirmam ser, individualmente, aqueles a quem Deus escolheu para restaurar o verdadeiro Cristianismo, a verdadeira Igreja de Cristo. Para convencer as pessoas de que são os escolhidos de Deus, muitos desses grupos não hesitam em atacar as igrejas cristãs. Fazem questão de apontar suas falhas, seus problemas internos etc. Afirmam que aqueles que não pertencem ao seu grupo são apenas "religiosos", ou seja, têm uma religião, que pouco ou nada influi na vida diária; enquanto que eles são cristãos verdadeiros, pois praticam o verdadeiro cristianismo. Costumam tomar os maus exemplos entre os cristãos, e generalizam afirmando que todos são iguais: frios na fé (não evangelizam, não lêem a Bíblia), confusos (uns batizam por aspersão, outro por imersão etc.), desunidos (cada um tem sua própria denominação: batistas, presbiterianos, anglicanos, luteranos), sem vida cristã (indecentes, devassos, mais amantes do mundo que amantes de Deus) etc. Assim, após apresentar esse quadro desanimador das igrejas cristãs (dos "religiosos"), alguns propõem uma vida radical, baseada nos ensinamentos de Cristo, que foram expostos no Novo Testamento e vividos pela Igreja Primitiva. De modo que, juntar-se a eles, é juntar-se à fileira dos verdadeiros cristãos. Em seu meio as pessoas tornarão sua vida a melhor possível, por meio de um relacionamento com Deus. Infelizmente, com esse discurso sedutor, muitos – sobretudo os jovens – têm abandonado suas igrejas e ingressado nesses grupos sectários.


2. Os "Restauradores"

            Talvez você esteja se perguntando: Quais são alguns desses grupos que afirmam ser a única igreja verdadeira? A maioria surgiu no século passado [XIX, 18**]. É interessante observar que cada grupo afirmou restaurar alguma coisa que caracterizava a Igreja Primitiva. Veja alguns exemplos:


3. A Igreja de Cristo Internacional – o mais novo candidato

            Em 1 de junho de 1979 surgiu um dos mais recentes candidatos a restaurador da Igreja Primitiva: a Igreja de Cristo Internacional (ICI), fundada pelo norte-americano Kip McKean. A ICI tem suas raízes nos "Discípulos de Cristo", grupo formado em 1809 por Alexander Campbell, nos EUA, que, vendo a desunião dos cristãos, decidiu uni-los. Sua proposta era acabar com o denominacionalismo e resgatar o Cristianismo primitivo. Ironicamente, o grupo converteu-se numa denominação, e também se dividiu em 1909, dando origem às Igrejas de Cristo. Kip McKean tornou-se membro de uma das Igrejas de Cristo, a de Crossroads, na Flórida, EUA, em 1973. Quem o levou para essa igreja foi Charles [Chuck] Lucas, que, em 1967, na Flórida, iniciou um programa denominado Multiplying Ministries (Multiplicando Ministérios ou Ministérios Multiplicativos). Devido a ter se destacado como um evangelista fervoroso, seguindo fielmente ao programa criado por Lucas, Kip McKean foi enviado para a Igreja de Cristo de Lexington, Massachusetts, em 1979, onde sua atuação promoveu um crescimento fenomenal. Este acontecimento marcou — segundo a própria ICI — o início de seu movimento religioso. Iniciando com 30 membros, McKean foi-se isolando das demais Igrejas de Cristo, afirmando que por meio daquele grupo estaria restaurando a Igreja que Jesus formou no Novo Testamento, o Cristianismo da Bíblia. Em 1981 foi introduzido um plano de evangelização mundial, que consistia em plantar igrejas em metrópoles-chave ao redor do mundo. Dessas "igrejas pilares" outras regiões geográficas ao redor dessas cidades seriam alcançadas. As três primeiras implantadas foram Chicago e Londres, em 1982 e Nova Iorque, em 1983. Ainda em 1983 o nome da igreja foi mudado para Igreja de Cristo de Boston, daí o nome "Movimento de Boston", surgido em 1984, que passou a designar todas as outras igrejas implantadas sob a orientação da Igreja de Boston. O caráter separatista crescia a cada dia. Muitos membros das outras Igrejas de Cristo, bem como de outras igrejas cristãs, passaram a deixar seus grupos de origem, aliando-se a Kip McKean. Isso foi causando discussões e intrigas no Movimento. Outro incidente também causou distúrbios no Movimento: em 1985 a Igreja de Cristo de Crossroads expulsou Chuck Lucas, o "pai na fé" de Kip McKean, por conduta sexual indevida. Ninguém mais seguraria Kip McKean. Muitos líderes se recusaram a obedecer sua liderança, que queria centralizar tudo em Boston, contrariando o sistema congregacional das Igrejas de Cristo, ou seja, cada igreja local, com sua liderança própria, era responsável por si mesma. A fim de salvaguardar sua liderança, McKean empreendeu entre 1986 a 1989 uma série de mudanças no Movimento, que foi denominada de "A Grande Restauração". Para começar, separou-se definitivamente das Igrejas de Cristo tradicionais, considerando-as uma "denominação morta" . A partir daí começou a rebatizar todos os que faziam parte do Movimento, incluindo os líderes, que agora seriam escolhidos e treinados pessoalmente por ele. Quem não quisesse se submeter, deveria sair do Movimento, não sendo mais considerado um cristão. Segundo McKean, seria preciso abandonar a "doutrina da autonomia", substituindo-a pela "doutrina da irmandade e unidade!". Em 1988 McKean criou um sistema piramidal, sendo ele o topo dessa pirâmide. Ele se tornou o Evangelista Mundial de Missões. Sua esposa, Elena Garcia McKean, passou a ser conhecida como a Líder Mundial do Ministério de Mulheres. Dividiu as nações do mundo em setores, designando um casal de líderes por setor. Em 1990, McKean se muda de Boston para Los Angeles, de onde passa a dirigir o Movimento. A igreja de Los Angeles é considerada a "Mega-igreja", com uma assistência de 12.000 pessoas. Em 1993, a fim de substituir o nome "Movimento de Boston", McKean, juntamente com outros líderes do movimento, numa conferência realizada no Los Angeles Sports Arena, adotaram o nome Igreja de Cristo Internacional, que, dependendo da cidade onde se encontrar, receberá o nome da mesma: se estiver em São Paulo será chamada de Igreja de Cristo Internacional de São Paulo; se estiver no Rio de Janeiro será designada Igreja de Cristo Internacional do Rio de Janeiro etc. O alvo de Kip McKean é implantar igrejas nas 216 nações do mundo. Atualmente estão presentes em 140 nações, com 329 igrejas implantadas, e uma assistência aproximada de 150.000 pessoas aos domingos.

3.1. Atividade da ICI no Brasil

            No Brasil, a ICI iniciou oficialmente suas atividades de proselitismo em maio de 1987, quando um grupo de 15 pessoas, liderado por Miguel e Anne-Brigitte Taliaferro, de Nova Iorque, desembarcou em São Paulo. No ano seguinte os Taliaferro vão para a África, e Jonh e Barbara Porter assumem a liderança de São Paulo. Em 1991 é formada a ICI do Rio de Janeiro. Em 1993 os Porter voltam para os Estados Unidos, assumindo a liderança em São Paulo Othon e Gabriela Neves (atuais Líderes do Setor Geográfico do Brasil). A ICI expandiu-se para outras cidades brasileiras, incluindo Belo Horizonte (1994) e Salvador (1997), atraindo principalmente jovens desiludidos com a religião de modo geral. Muitos são universitários. Em agosto de 1996, utilizando da H.O.P.E. Worldwide (Ajudando as Pessoas ao Redor do Mundo), uma ONG (organização não governamental), com sede em São Paulo, criada pela ICI em 1987 para ser seu "braço benevolente", a ICI promoveu uma campanha de doação de sangue, reunindo cerca de 32.000 pessoas na Cidade de São Paulo. Para esse evento, contratou o grupo musical baiano, Olodum1 — com raízes no Candomblé — para fazer um show, a fim de atrair pessoas para evangelizá-las. Seus adeptos juntaram-se aos participantes, evangelizando-os. Com sua atividade diária de proselitismo, a ICI já conta com 5 igrejas implantadas no Brasil, uma membresia em torno de 2.600 pessoas, e uma assistência de 4.000 aos domingos. Mas, para quem se espanta com tal crescimento, há um dado interessante: segundo informou John Porter, numa palestra realizada em São Paulo, em novembro de 1997, dos 800 novos convertidos naquele ano, o movimento perdeu 500! Uma perda de quase 65%. A ICI tem como desafio principal trazê-los de volta ao rebanho de McKean.



4. A Bíblia e a Verdadeira Igreja de Jesus Cristo

            A Igreja Internacional de Cristo julga ser a única e verdadeira igreja de Cristo, formada por verdadeiros discípulos, pois afirma ter restaurado o discipulado bíblico. Somente a ICI possuiria as características da verdadeira igreja: ensino bíblico, amizades, união, disposição financeira, alegria e crescimento diário. Declarou Kip McKean: Com essa convicção das Escrituras, veio a característica principal, só encontrada em nosso movimento – a igreja verdadeira e composta só de discípulos. (...) Não conheço nenhuma outra Igreja, grupo ou movimento que ensine e pratique o que ensinamos. Diante dessa pretensão da Igreja de Cristo Internacional e dos demais grupos citados, entre tantos outros, podemos afirmar o seguinte: Se ficar provado à luz da Bíblia que a Igreja que Jesus fundou no primeiro século subsiste até hoje, ou seja, que ela não desapareceu da face da terra, que nunca deixou de existir, e que nunca houve uma apostasia geral que pudesse afastá-la de Jesus Cristo, cairá por terra a presunção desses grupos, pois, se não houve a necessidade de restaurar a Igreja de Cristo, tampouco houve necessidade de um restaurador humano que recebeu de Deus tal tarefa. Dessa forma concluiremos que os que ensinam tal coisa mentem e tentam perverter as Escrituras que atestam a indestrutibilidade da Igreja de Jesus Cristo. Abordaremos essa questão à luz da Bíblia sob quatro aspectos:

  1. A indestrutibilidade da Igreja

  2. As credenciais do construtor da Igreja

  3. A apostasia na Igreja

  4. A Igreja primitiva tinha seus problemas



4.1. Definição

            Antes disso tudo, porém, cabe aqui uma definição: Que é Igreja? O termo vem do grego clássico ekklhsia (ekklesia), que significa assembleia, ajuntamento do povo. Corresponde à palavra kve (qahal), do Antigo Testamento (compare Atos 7:38 com Deuteronômio 4:10). Assim, no contexto do Novo Testamento, Igreja designa... a) A coletividade dos cristãos, ou seja, os cristãos reunidos (Atos 5:11; Mateus 18:17 – compare com Atos 8:11 e 11:22; 20:28; 1ª Coríntios 14:19, 23). b) Reunião, ajuntamento (1ª Coríntios 14:34). c) O lugar de reunião (1ª Coríntios 11:17). Paulo fala da Ceia que é ministrada na Igreja (lugar); quanto aos que não querem esperar, que comam noutro lugar: em suas casas (11:20-22). Assim, a oposição igreja/casa parece indicar que Paulo usou ekklesia no sentido de espaço geográfico, e não necessariamente no sentido de ajuntamento (veja também 14:35). Há outro ponto que também merece destaque: o que a Igreja não é. A ICI afirma que a Igreja é o Reino de Deus proclamado na Bíblia. E isso é muito importante para o movimento, pois costumam fazer com que os novos membros busquem em primeiro lugar os interesses da igreja, pois a Bíblia diz: Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça... (Mateus 6:33).

4.2. A Indestrutibilidade da Igreja

4.3. As credenciais do construtor da Igreja

           Outro detalhe a ser observado é o seguinte: se determinarmos as credenciais e o caráter daquele que é o alicerce da Igreja, saberemos então se ela é ou não indestrutível. Assim, quais são as credenciais de Jesus, o construtor da Igreja? Ele é...

Medite nessas perguntas:

a) Com toda essa credencial, quem ousaria derrubar a Igreja que tem como construtor o próprio Cristo? (Romanos 8:31-39).

b) Seria Cristo um péssimo construtor? Se a Bíblia diz que ele veio para "destruir as obras do Diabo", como poderia o Diabo destruir a Igreja, obra-prima de Jesus Cristo? (1ª João 3:8).

c) Se a Igreja é o corpo de Cristo, como poderia o Diabo, por meio duma apostasia, separar Cristo de seu corpo durante séculos? (1ª Coríntios 12:12-20; Efésios 5:23) É preciso muita imaginação para se acreditar nisso! Finalizando, citamos Apocalipse 17:14: "Pelejarão eles [agentes de Satã] contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele."

4.4. Apostasia na Igreja

            Não se pode negar que houve, de fato, apostasia no seio da Igreja; negamos, contudo, que essa apostasia tenha sido geral, pois todos os textos apresentados como prova escriturística sobre a apostasia no meio da Igreja, apontam para uma apostasia parcial, nunca geral. Veja:

4.5. A Igreja Primitiva tinha seus problemas:

           Normalmente, os grupos que dizem ser a restauração da Igreja primitiva, apontam as falhas das modernas igrejas, dizendo que estas se afastaram do cristianismo, pois andam confusas, sem amor ao próximo, sem vontade de evangelizar etc. Dizem que na sua Dizem que na sua organização as características da Igreja verdadeira estão presentes, de acordo com Atos 2:42-47, que são... a) Perseverança na doutrina dos apóstolos; b) Comunhão, amizades genuínas, sem acepção de pessoas; c) Partilhar ajuda aos necessitados; d) Alegria constante; e) Crescimento numérico espantoso etc. Uma viagem pela Bíblia, porém, nos levará a encarar uma dura realidade: a Igreja é composta por pessoas imperfeitas, que revelam suas imperfeições no seu trato com Deus e com o próximo. Nenhuma Igreja de Cristo, no tempo e no espaço, foi exemplo fiel em todas as áreas da vida cristã. Atos, capítulo 2, fala do início da história da Igreja, e não da concretização dessa história. Tudo começou ali, mas a história continua até hoje. Mesmo na Igreja primitiva era visível que nem tudo o que está em Atos 2 era de fato praticado por todas as igrejas. Os problemas surgiram quando a Igreja começou a crescer (Atos 6:1ss). Veja:

  1. Apostasia – alguns se afastaram da "doutrina dos apóstolos", ensinando que...

    • não havia ressurreição dos mortos (1ª Coríntios 15:12);

    • a segunda vinda de Jesus já ocorrera (2ª Tessalonicenses 2:2, 3);

    • a cruz não substituiu a guarda obrigatória da lei (Gálatas 1:6-9; 3:1-3).

  2. Inimizades – por vezes os membros das igrejas eram advertidos quanto às contendas e facções que havia entre eles; infelizmente a comunhão estava comprometida, havia acepção de pessoas e amizades corrompedoras. Leia: 1ª Coríntios 1:10-12; 3:1-4; Tiago 4:11, 12 e 3ª João 9, 10.

  3. Acepção de pessoas e falta de ajuda as necessitados – era incrível a falta de solidariedade da parte de muitos cristãos, que chegou a irritar profundamente a Tiago, além de que os ricos eram preferidos aos pobres (Tiago 2:1-9, 14-17).

  4. Tristeza – a Igreja de Cristo Internacional tentam vender uma imagem de eterna alegria, como se não houvesse lugar para a tristeza na vida dos membros da Igreja, ao contrário do que diz 2ª Coríntios 2:1-8; até Jesus se entristeceu (Marcos 14:34).

  5. Crescimento – o crescimento numérico não é sinal de que a igreja é verdadeira, pois, segundo Jesus, o joio cresceria junto com o trigo, na mesma proporção ou mais (Mateus 13:24-30). Em 2ª Pedro 2:1, 2, segundo a Bíblia, os falsos profetas seriam seguidos por "muitos". Assim, o crescimento diário desejável diz respeito à qualidade, não à quantidade (2ª Pedro 3:18). Além do mais, se é esse o critério, então a ICI foi desclassificada, pois, como dissemos anteriormente, citando as palavras de Jonh Porter (um dos líderes da ICI), dos 800 membros conquistas em 1997, perderam 500.

            Vale a pena a leitura das cartas destinas às sete igrejas relatadas no Apocalipse, que retratam a fragilidade da parte humana da Igreja de Cristo (capítulos 2 e 3). Apesar de todos os problemas, de toda a mesquinhez espiritual, da falta de amor, da falta de firmeza doutrinária que levava a igreja em Pérgamo a permitir que os nicolaítas tivessem livre acesso às suas dependências, ainda assim, diz a Bíblia, que Jesus estava "no meio dos candeeiros" ou das "igrejas" (Apocalipse 1:12, 13 e 20). Outro ponto igualmente importante é o fato de a ICI afirmar que no Cristianismo atual muitos não têm vida cristã. Contudo, é bom lembrar que a atitude de rebeldia ou de desobediência de alguns cristãos não invalida o Cristianismo. Por outro lado, o fato de muitas pessoas possuírem um padrão elevadíssimo de moral, não determina que seu sistema religioso seja o correto. Por exemplo: as Testemunhas de Jeová têm um alto padrão de moral cristã. Procuram viver de acordo com a moral e ética bíblicas. Condenam o sexo antes do casamento, o adultério, o homossexualismo, o roubo, a mentira etc. Nem por isso se pode dizer que a sua religião é a única verdadeira. Contudo, viver estes comportamentos é obrigação de todos nós. Cumpri-los ou não cumpri-los não fará de minha igreja falsa ou verdadeira. E mais. A vida de alguns cristãos não é nem de longe recomendável; contudo, aquilo que ele diz ou prega pode estar de acordo com a palavra de Deus, mesmo que ele não a cumpra (Leia Mateus 23:1-3). Assim, os critérios para se determinar se uma igreja é verdadeira ou falsa vai muito além disso. É claro que vida cristã é importante. Importantíssima! Porém, ser fiel à sã doutrina, também. Que adianta viver como cristão, e ensinar doutrinas falsas acerca da Igreja, pondo em xeque a credibilidade de seu construtor?

4.6. A verdadeira Igreja

            Diante de tudo o que foi colocado, surge a pergunta inevitável: qual das igrejas existentes hoje é a verdadeira Igreja de Cristo? Levando em conta que a ekklesia é de Cristo, e que ela existe desde a sua fundação, afirmamos a Igreja Verdadeira é o conjunto de todos os cristãos, em todos os tempos, os "filhos do Reino", que estão espalhados no mundo, por todas as denominações que abraçam a Jesus Cristo e sua mensagem, que pregam-no como o único Dono, Senhor, Salvador e Mestre (Judas 4; Tito 2:13). Assim, os cristãos são identificados por sua relação com Cristo. Espera-se que haja entre esses cristãos amor, cooperação, disposição para o serviço a Deus etc. Mas, não se pode pedir uniformidade, como se todos devessem pensar em todos os aspectos de maneira igual. Jesus nunca fundou uma "Igreja McDonald", isto é, igual em todas as partes do mundo. Na Igreja Primitiva nem todos estavam de acordo em relação a algumas questões. Para alguns o vegetarianismo devia ser o ideal; para outros, não (Romanos 14); alguns comiam carne sacrificada aos ídolos, outros achavam isso um absurdo (1ª Coríntios 8). Embora o apóstolo Paulo tivesse opinião formada sobre os assuntos em questão, nunca quis que todos pensassem como ele; antes, pediu que cada um respeitasse o ponto de vista uns dos outros. Quando pediu aos coríntios (1ª Coríntios 1:10) que não houvesse divisões entre eles, mas que fossem unidos num só pensamento e num só propósito, tencionava acabar com as divisões do tipo: "Eu sou de Paulo", "Eu sou de Pedro" etc. Estas brigas faziam com que perdessem de vista o fato de que todos pertencem a Cristo, pois não foi Paulo nem Pedro que morreram crucificados por eles, mas o próprio Jesus Cristo. Sendo assim, a unidade deve girar em torno de Cristo, e não na quantidade de água para se ministrar o batismo; não na forma de governo, se congregacional ou episcopal, mas no fato de que Cristo é o nosso Rei e Senhor, sendo seu domínio, o teocrático, o que de fato deve prevalecer.



5. Discipulado

            A Igreja de Cristo Internacional ensina que, assim como Jesus "controlava" a vida dos apóstolos em todos os aspectos, da mesma forma deve ocorrer com alguém que se torna membro da ICI. O novo adepto ficará aos cuidados de um discipulador, a quem deverá prestar contas de tudo o que fizer ou desejar fazer; deverá até mesmo confessar seus pecados diariamente, baseando-se em Tiago 5:16, que diz: "Confessem os seus pecados uns aos outros". Uma vez discípulo, discípulo para sempre. É Deus no céu e o discipulador na terra. O discípulo deve obedecer em tudo: Deve estar disposto a ir a qualquer lugar, deixando qualquer coisa, incluindo emprego, familiares, faculdade, enfim, tudo o que o discipulador determinar. Deve prestar contas de seu dízimo, de suas atividades de proselitismo: "Quantos você convidou? Por que não convidou? Quando vai convidar? Você deve fazer isso..." etc. Enfim, adeus, liberdade! Esse proceder causou muita polêmica no início do movimento. Em 1992 Kip McKean reconheceu que havia exagerado na sua visão do discipulado. Ele declarou: Estava errado em alguns dos meus pensamentos sobre a autoridade bíblica. Eu achava que os líderes poderiam chamar as pessoas para lhes obedecerem e seguirem-nos em todas as áreas. Isto estava incorreto. Sinto-me muito mal pelas pessoas que foram prejudicadas por esse erro. O reconhecimento da parte de McKean de que prejudicou muita gente poderia ser uma atitude elogiável, caso tal prática tivesse sido eliminada da ICI. Todavia, isso não ocorreu. Portanto, não se engane com a aparente retratação de McKean, pois essa dependência do discipulando em relação ao discipulador que deve acompanhá-lo em todas as áreas de sua vida ainda existe e continua a prejudicar psicologicamente as pessoas na Igreja de Cristo Internacional.

5.1. A Bíblia e o verdadeiro discipulado


            Para início de conversa, convém lembrar que em nenhuma parte do Novo Testamento encontra-se o tipo de discipulado exposto pela Igreja Internacional de Cristo. Segundo a Sagrada Escritura, o cristão é um discípulo (maqhthV), sim, mas exclusivamente de Cristo. A Bíblia apresenta diversas relações que existe entre Cristo e seus seguidores:

           Vale a pena lembrar que há em sentido estrito somente um Mestre, com o qual partilhamos a relação de discípulo (Mateus 28:8), que é Jesus Cristo. Quantos aos "mestres" dos quais a Bíblia fala (Atos 13:1; Efésios 4:11), trata-se de homens qualificados para ensinar os discípulos de Cristo, a Igreja como um todo. Mas não está em jogo o que se pratica na Igreja de Cristo Internacional, pois todos devem ser "mestres" (discipuladores), uma vez que todos têm discípulos. E mais. Segundo a Bíblia, o ensinar é um dom concedido a poucos, e não a todos (Romanos 12:4-8 – compare com Atos 13;1; 1ª Coríntios 12:28 e Efésios 4:11). Além disso, de acordo com a Escritura, nenhum crente deve ter domínio sobre a fé do outro (2ª Coríntios 1:24 ; 1ª Pedro 3:5; Romanos 14), pois os discípulos são de Cristo (João 8:31). Este é o verdadeiro discipulado bíblico. O que for além disso é distorção do verdadeiro discipulado.


6. A Bíblia e a confissão de pecados

           Quanto à confissão de pecados, que o discípulo na Igreja de Cristo Internacional é obrigado a efetuar, baseando-se em Tiago 5;16, que diz "confessem os seus pecados uns aos outros", convém lembrar que este é um ato recíproco, nunca unilateral. Nessa igreja o discipulador ouve o discípulo confessar seus pecados, mas não confessa os seus próprios ao discípulo, uma vez que o discipulador tem, também, seu próprio discipulador. Ora, o "confessem os seus pecados uns aos outros" indica reciprocidade, ou seja, é toma-lá-dá-cá, do mesmo modo que encontramos na Bíblia:

           Além disso, encontramos na Bíblia que a confissão deve ser feita sobretudo a Deus, que, por meio de Jesus Cristo, nosso Advogado junto ao Pai, nos perdoará de nossos pecados (1ª João 1:7 a 2:2).



7. Outras informações

             Escrituras: Afirmam usar somente a Bíblia, sua única regra de fé e prática. Seus membros, todavia, não podem interpretá-la diferentemente de McKean (mesmo que esteja errado). Aliás, para eles, seu fundador nunca está equivocado. Suas palavras são inquestionáveis. É considerado o "ungido" de Deus. A Bíblia é usada, sem dúvida; contudo, é comum usar seus versículos fora de contexto para dar confiabilidade aos ensinamentos do movimento. Sua tradução predileta é a Bíblia na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil. Deus Defendem o conceito bíblico sobre a doutrina da Trindade. Jesus Crêem em sua humanidade e divindade, tal como ensinam as Escrituras cristãs; todavia, a ênfase não está em Jesus como objeto de nossa fé, mas sim, como um exemplo a ser seguido. Espírito Santo Advogam o conceito bíblico, ou seja, o Espírito Santo é um ser pessoal, sendo em sua essência um só Deus com o Pai e o Filho. Salvação Crêem que somente na ICI há verdadeiros discípulos de Cristo, os únicos que fazem parte do Reino de Deus na terra. Assim, sua salvação está ligada ao fato de fazerem parte do movimento, que exige obediência irrestrita. Qualquer dúvida ou questionamento deve ser evitado, pois conduzirá o indivíduo à perda de sua alma. Vida após a morte Dividem a humanidade em dois grupos: os justos (membros da ICI) que vão para o céu e os ímpios que vão para o inferno. Como "ímpios" designam todos os que não fazem parte da ICI, mesmo que afirmem ser cristãos ou discípulos de Cristo. Informações adicionais · Segundo McKean, não há pecado original. Foi inventado no séc. VII d.C. para apoiar o batismo infantil. Cada pessoa é responsável pela sua própria vida; portanto, a culpa pelo pecado de Adão não foi transmitida. A natureza humana é capaz, por si só, sem nenhum auxilio sobrenatural, de evitar o pecado e praticar a vontade de Deus. Assim, quando alguém entra na ICI pode arrepender-se de seus pecados e mudar seu padrão de vida sem a intervenção direta do Espírito Santo. Esse ensino é conhecido na Teologia como pelagianismo. Demonstrando a mudança, então é batizada para receber o Espírito Santo e ser salva.



8. Conclusão

            Não se pode negar a sinceridade dos adeptos da Igreja de Cristo Internacional. Seguem fielmente as ordenanças de sua organização religiosa; contudo, precisam aprender que somente a sinceridade não basta. Certa vez, Jesus disse: "...Vem a hora em que qualquer que vos matar julgará prestar serviço a Deus" (João 16:2). Tais homens matadores de cristãos, em sua sinceridade, talvez achassem que estivessem servindo fielmente a Deus; todavia, agiam de modo contrário à Sua vontade. É como diz Provérbios 14;12: "Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz á morte". Nenhuma organização religiosa, por melhor que pareça ser, nem nada do que venhamos a praticar, mesmo nos atendo aos usos e costumes impostos por certas igrejas ou religiões e por tradições puramente humanas, não nos darão em troca a vida eterna. Somos salvos pela fé no Filho de Deus, Jesus. Nossa plenitude está nele. (Efésios 2:8-10; Colossenses 1:13, 14; 2:10-13).



Por Aldo Menezes




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