O Papel Das Mulheres Na Igreja Local

(The Role of Women in the Local Church)

Permite Deus Que uma Mulher Sirva Como Pastora Numa Igreja [Local]? Um Estudo Nas Epístolas Pastorais.


Por Matt Costella


Foundation Magazine, Jul-Ago 2001
http://www.feasite.org/Foundation/fbcrollof.htm






 

A Proliferação do Clero Feminino Dentro Da Igreja Cristã
 

O papel das mulheres nas assembléias cristãs locais têm sido um assunto de debate dentro da cristandade, por muitos anos. Todavia, dentro dos últimos 25 anos, este problema tem chegado a um clímax não somente em muitas denominações importantes Protestantes e Ortodoxas mas também em igrejas evangélicas. O problema do papel das mulheres na igreja serviu como assunto de contenção na Oitava Assembléia do [ecumênico] Concílio Mundial de Igrejas [WCC - World Council of Churches] em Harare, Zimbabwe, em dezembro de 1998, quando as Igrejas Grega e Russa Ortodoxas declararam o descontentamento delas pelo fato de que a maioria  de igrejas e denominações membros do WCC ordenam mulheres como ministras e pastoras. (1) Nos Estados Unidos, a Igreja Presbiteriana dos USA, a Igreja Episcopal dos USA, a Igreja  de Cristo Unida, a Igreja Metodista Unida, a Igreja Reformada na América, a Igreja Evangélica Luterana na América, a Igreja dos Irmãos, e a Igreja Cristã (Discípulos de Cristo) são somente um pouco das muitas principais denominações que ordenam mulheres como ministras e as encorajam a servir como pastoras e bispas de congregações locais.

Em um estudo recente de denominações que ordenam mulheres, pesquisadores encontraram que o número de mulheres ministras ordenadas em 15 grandes denominações protestantes cresceu exponencialmente entre 1977 e 1994. Um estudo do Seminário Hartford descobriu que, dentro deste período de tempo, o número do clero feminino aumentou de 157 para 712 na Igreja Batista Americana dos USA, de 94 para 1394 na Igreja Episcopal dos USA, de 388 para 988 na Igreja Cristã (Discípulos de Cristo), de 73 para 1519 na Igreja Evangélica Luterana na América, de 350 para 2705 na Igreja Presbiteriana (dos USA), e de 319 para 3003 na Igreja Metodista Unida. (2) É também interessante notar que aproximadamente 25% do clero feminino e 19% do clero masculino que participaram do estudo eram divorciados. O levantamento estatístico conclui o seguinte: "Mulheres do clero estão reinventando ministérios para o futuro, recusando as antigas definições e expectativas. Mulheres ministras estão expandindo a própria essência do ministério cristão e guiando toda a igreja para repensar e renovar sua liderança e membresia." (3)

Não somente pastoras estão crescendo entre denominações liberais nos Estados Unidos mas também entre igrejas e denominações evangélicas e conservadoras. Note os seguintes fatos sobre estas denominações e associações populares:


. Convenção Batista do Sul - De acordo com uma fonte, a Convenção Batista do Sul tem aproximadamente 1130 mulheres ordenadas preenchendo os vários papéis de ministérios. (4)

. A Associação de Igrejas da Videira (Vineyard) - Este grupo permite somente homens preencher o ofício de ancião e pastor, mas permite mulheres "pregar, ensinar, evangelizar, curar, profetizar, aconselhar, alimentar espiritualmente, administrar e edificar o rebanho de Deus." (5)

. A Igreja do Nazareno - Um pesquisador relata que esta denominação "tem ordenado mulheres para o ministério desde sua fundação em 1908 e sustenta o direito das mulheres de usar os dons espirituais dados por Deus dentro da igreja. Nazarenos afirmam o direito de mulheres serem eleitas e apontadas para lugares de liderança em todos os níveis da igreja." (6) É importante notar que algumas igrejas dentro desta denominação têm evitado o título denominacional deles (Igreja do Nazareno) em favor de um nome mais genérico, orientado para a comunidade (por exemplo, Igreja Comunidade Nova Vida, etc.).

. Assembléias de Deus dos USA - As Assembléias de Deus crêem que as mulheres podem servir em todos os papéis de ministério da igreja incluindo o de pastor. Em um artigo que estabelece posicionamento oficial, artigo intitulado "O Papel de Mulheres no Ministério como Descrito na Sagrada Escritura," ("The Role of Women in Ministry as Described in Holy Scripture,") os autores concluem: "Nós não podemos encontrar evidências convincentes de que o ministério de mulheres é restrito de acordo com alguns princípios sagrados ou imutáveis... A existência no mundo secular de intolerância contra mulheres não pode ser negada. Mas não há nenhum lugar para tal atitude no corpo de Cristo. Nós admitimos que atitudes da sociedade secular, baseadas sobre prática e tradição de longa duração, têm influenciado a aplicação de princípios bíblicos às circunstâncias locais." (7)

. Igreja Metodista Livre da América do Norte - Esta é a denominação na qual o presidente anterior da Associação Nacional de Evangélicos, Kevin Mannoia, é um bispo ordenado. Esta denominação crê que "o Evangelho de Jesus Cristo... não reconhece nenhuma distinção de raça, condição ou sexo... Com estas crenças, mulheres devem ser encorajadas a tomar o lugar delas em todas as áreas de liderança e ministério da igreja." (8)

. Muitas outras igrejas, sociedades e denominações incluindo as Igrejas Padrão da Bíblia Aberta, Inc.; A Igreja Internacional do Evangelho Quadrangular; A Igreja de Deus (Anderson, IN) e outras permitem mulheres se apossar de posições de autoridade pastoral dentro da igreja local.


Não somente as denominações e igrejas locais têm levado adiante a causa de mulheres no clero, mas figuras religiosas notáveis têm feito sua parte para popularizar também esta tendência. Anne Graham Lotz, filha do evangelista Billy Graham, é agora uma das mulheres pregadoras mais populares no mundo. Lotz recentemente disse em um programa de notícias de televisão que seus pais costumavam desaprovar seu ministério até eles ouvirem a sua pregação. "Eles viram que minha casa estava limpa, meus filhos eram bem comportados, meu marido estava feliz e muito apoiador," ela disse, "E eles apenas voltaram atrás e puderam ver que Deus havia me chamado." (9) Um grupo de proeminentes teólogos "evangélicos" têm formado Crentes em Favor de Igualdade Bíblica [Christians for Biblical Equality (CBE)], uma organização em Minneapolis, Minnesota, que zelosamente promove papéis iguais para mulheres na igreja e casa. Teólogos notáveis que fazem o Conselho de Referência do CBE incluem Tony Campolo, Vernon Grounds, Roberta Hestenes, Millard Erickson, Gordon Free, Myron S. Augsburger e John R. Kohlenberger III. O jornal Dallas Morning News, que recentemente apresentou uma história sobre os CBE, noticiou que o editor da revista Charisma, J. Lee Grady é também um defensor de CBE. (10) O artigo também notificou que os Guardiões da Promessa, uma outra organização "evangélica" para-igreja [ao lado de, em paralelo com a igreja] semelhante, tem recusado tomar uma posição oficial sobre [criticando] o papel de mulheres na igreja e declarou que, em troca, "os líderes de CBE são cautelosos sobre criticar os Guardiões da Promessa." (11)

Claramente, com o crescimento dos Movimentos Carismáticos e Pentecostais que defendem o clero feminino e o aumento do inclusivismo ecumênico de muitas igrejas evangélicas, é vitalmente importante para os crentes fundamentalistas saberem o que a Palavra de Deus ensina com respeito a este problema e assim eles têm que saber como responder àqueles que perguntam sobre sua posição concernente ao papel de mulheres no ministério da igreja local. É evidente que a maioria dos crentes professos e igrejas cristãs de hoje em dia permitem mulheres desempenhar posições de liderança pastoral na igreja local. Este sério problema permanece com a igreja e continua a permear todos os campos de pensamento e prática cristãs à medida que o papel de mulheres na liderança pastoral nas igrejas e denominações continua a tornar-se mais aceitável e comum na comunidade cristã.


 

Uma Breve Olhada Histórica nos Pontos de Vista Concernentes ao Papel de Mulheres na Igreja Local
 

Em sua forma mais simples, as opiniões concernentes ao papel do ministério de mulheres na igreja local são muito freqüentemente divididos por estudiosos em dois grupos distintos: aqueles que crêem que as mulheres devem ser permitidas ocupar posições de autoridade pastorais na igreja e aqueles que crêem que somente homens são permitidos ter tais posições na igreja local. Aqueles que crêem que mulheres devem ser limitadas [de modo a não] terem papel de autoridade, papel pastoral na igreja, abraçam o que é conhecido como o ponto de vista "histórico" ou "tradicional". Por outro lado, aqueles que crêem que mulheres devem possuir a habilidade de ocupar todas as posições de liderança dentro da igreja abraçam o que é referido como o ponto de vista "igualitário" ou "progressista".

Obviamente, pastores e teólogos nem sempre aprovam somente todos os aspectos de um ou de outro ponto de vista. Várias nuances desses dois pontos de vista existem entre aqueles que têm estudado o problema. Por exemplo, alguns podem abraçar a posição de que mulheres não podem servir na igreja local como pastoras "senior" [plenas, principais], mas são permitidas servirem como pastoras assistentes ou pastoras associadas. Outros podem crer que mulheres não devem servir em nenhuma forma de papel pastoral na igreja local, mas estão livres para ensinar tanto a homens como a mulheres, em uma classe de adultos da Escola Dominical. Em qualquer caso, com o propósito de esclarecimento dentro deste artigo e devido às limitações de espaço e conteúdo, este artigo simplificará as coisas através de definir aqueles que permitem mulheres terem qualquer forma de papel pastoral dentro da igreja local como alguém que possui o ponto de vista progressista ou igualitário, e definir alguns que proíbem mulheres de terem uma posição de autoridade no ensino sobre homens como aqueles que sustentam o ponto de vista histórico ou tradicional.

De acordo com o autor Daniel Doriani, aqueles que mantêm o ponto de vista "histórico" de mulheres no ministério podem clamar terem o apoio do pensamento cristão tradicional e do ensino através da história da igreja. (12) De fato, um autor, Robert Yarbrough, tem conduzido um estudo criterioso na hermenêutica de 1 Timóteo 2:9-15 no qual ele conclui que o ponto de vista "progressista" tem sido formado mais pelo clima social do meio do século 20 ao invés de pelo próprio texto bíblico. (13) Ele cita, "É um abuso da credulidade, além do ponto de quebra, o se manter que é mera coincidência que a leitura 'progressista' de 1 Timóteo 2, a qual foi virtualmente desconhecida da história da igreja antecedente ao movimento de mulheres dos anos de 1960s, não são devidos a este movimento em aspectos fundamentais com respeito à sua plausibilidade." (14) Embora Doriani citasse três escritoras femininas do século 19 que foram pioneiras numa compreensão progressista do papel das mulheres na igreja (Catherine Booth, Frances Willard e Katherine Bushnell), claramente a maioria das mudanças de tradicionalista para progressista nos escritos e crenças concernentes ao papel da mulher na igreja surgiu durante o século XX.



 

O Ponto de Vista Bíblico do Papel de Mulheres na Igreja Local
 

Enquanto uma variedade de argumentos favorecendo o ponto de vista progressista existe, o escopo deste artigo não permite espaço para um exame extensivo de cada ponto de vista, nem tentará prover uma contradição de cada argumento. Ao invés disso, esta seção do artigo simplesmente mas cuidadosamente determinará a intenção de 1 Timóteo 2:9-15 nos limites das Epístolas Pastorais (Primeira e Segunda Timóteo e Tito) enquanto referindo-se, à medida em que for necessário, a outros textos do Novo Testamento considerando o ensinamento da Bíblia concernente ao papel de mulheres no ambiente da igreja local. Vários princípios serão estabelecidos e sustentados tanto pelo texto bíblico como pelos teólogos que têm cuidadosamente estudado o texto bíblico e chegado ao que o escritor crê ser uma conclusão saudável.

Ainda antes de notar o que a Palavra de Deus diz sobre este importante problema, o leitor tem que decidir se sim ou se não ele ou ela aceitará as próprias palavras das Escrituras como as inspiradas e inerrantes palavras de Deus. Muitos que aderem a um ponto de vista progressista quanto a mulheres no ministério sustentam um baixo ponto de vista das Escrituras, vendo o texto bíblico como as idéias, filosofias e meditações de homens (tais como o apóstolo Paulo) ao invés de serem a verdadeira Palavra de Deus dada para homens pelo ato direto de inspiração pelo Espírito Santo. Se alguém conclui que as palavras do texto sob consideração simplesmente reflete o meio cultural do apóstolo Paulo e por esta razão não pode ser considerada com autoridade para o século 21, então nenhum outro argumento ou investigação no tópico pode prosseguir, pois as crenças dessa pessoa são sujeitas a conclusões e julgamentos de homens ao invés de à absoluta e imutável verdade do próprio Deus.

No entanto, se alguém aceita a Bíblia como inerrante, com autoridade e como "assoprada por Deus", então ele saberá que toda a Escritura "é proveitosa para ensinar" e ele desistirá de desfazer-se daquelas porções que ele não acredita serem relevantes ou aplicáveis à sua própria situação.


 

Princípio #1: Mulheres São Para Ensinar a Outras Mulheres
 

A epístola do Novo Testamento de Paulo para Tito contém instruções concernentes à necessidade que Tito "pusesse em boa ordem as coisas que ainda restam" (Tito 1:5) na igreja local e sua necessidade de "de cidade em cidade estabelecesses presbíteros" na ilha de Creta. Paulo, especificamente, instruiu Tito: "fala as coisas que convêm à sã doutrina" (Tito 2:1), as verdadeiras "coisas" que estavam sendo pervertidas pelos falsos mestres que estavam influenciando à igreja em Creta. Dentro do confins do ministério da igreja local, uma área de "sã doutrina" que Tito devia enfatizar, era a verdade que as mulheres mais idosas da congregação deviam ensinar "4 ...as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, 5 A serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos ..." (Tito 2:4-5). Tal ensino concernente à obediência e moralidade era vitalmente importante à saúde do corpo de Cristo. Por quê? Para que a Palavra de Deus não fosse "blasfemada" ou reprovada (Tito 2:5).

Deste texto, é evidente que mulheres devem ensinar outras mulheres e que Deus tem prescrito uma ordem de conduta para mulheres que, se seguida, glorifica-O e faz com que Seu nome seja glorificado ao invés de ser reprovado e blasfemado. A exata natureza deste ministério de "ensino" de mulheres não é explicitamente declarada, mas certamente este ministério pode ser feito tanto em um ambiente de sala de aula como em um arranjo para discipulado pessoal. Thomas Oden, um que sustenta o ponto de vista igualitário para mulheres no ministério, diz: "Mulheres com maturidade espiritual foram, especificamente, designadas em Tito 2:3 como professoras (kalodidaskalous, professoras do que é bom). Mulheres com maturidade espiritual são as conselheiras naturais das jovens. O ensinamento de virtude é melhor dado pelo exemplo." Se mulheres ensinam outras mulheres na igreja local (como é o caso de  muitas arranjos feitos para classes da Escola Dominical de hoje em dia) ou se elas as ensinam em locais fora da igreja local, o mandamento permanece o mesmo: Mulheres devem ensinar outras mulheres, e, se não for, também, pela instrução verbal, pelo menos, seja pelo próprio exemplo delas.


 

Princípio #2: Mulheres Devem Se Adornar Com Boas Obras
 

Em 1 Timóteo 2:1-15, Paulo dá instruções de adoração pública pelos crentes. Dentro deste contexto, Paulo instrui mulheres na congregação a se vestirem modestamente [isto é, com pudor e discrição] ao invés de em ostentação ou maneira centrada em ornamentos (vv. 9-10). Mas ao invés de simplesmente escrever um manual para mulheres de estilo legalista, Paulo escreveu estes versículos pela inspiração do Espírito Santo em um esforço para deixar bem estabelecido um princípio bíblico de adoração corporativa na igreja local. O princípio é este: O caráter da mulher é mais importante do que o traje dela. Homer Kent escreve: "Ela deve se adornar com boas obras. O seu adorno, que a faz atraente, não é ser suntuosamente ornamentada mas a exibição de caráter cristão... Cada mulher crente deve valorizar muito mais um testemunho de suas obras cristãs do que a reputação de ser a mulher mais bem vestida da congregação." Kent cita os exemplos nas Escrituras de Febe, Lídia e Dorcas como aquelas cujas obras foram edificantes para o corpo de Cristo e deixaram impressões permanentes não somente naqueles com quem elas tiveram contato mas também sobre a igreja inteira até nossos dias.

Mesmo hoje, mulheres têm a responsabilidade, dentro da igreja local, de ministrarem a outras através de suas boas obras e serem conhecidas por quem elas verdadeiramente são através do seu caráter cristão piedoso. Mulheres podem demonstrar suas boas obras dentro do corpo da igreja local através de uma variedade de maneiras. Mostrar hospitalidade, encorajar outras, ensinar outras mulheres e conservar os crentes atualizados quanto aos ministérios da igreja e aos missionários da igreja são apenas algumas das maneiras pelas quais boas obras e caráter piedoso podem ser revelados na assembléia local da parte das mulheres crentes.


 

Princípio #3: Mulheres Devem Ser Ativas Aprendizes
 

As mulheres, na igreja local, não somente devem ensinar a outras mulheres e manter boas obras e caráter piedoso mas Paulo também as ordena a serem aprendizes. Em sua segunda carta a Timóteo, Paulo declara que os falsos mestres tinham influenciado algumas das mulheres na igreja dos efésios (2Ti 3:6-7). Ann Bowman diz que: "parece que [Paulo] sabia que era importante que estivessem bem fundamentadas nas Escrituras." 17 Naturalmente, a fim de serem fundamentadas nas Escrituras, era imperativo que as mulheres aprendessem sã doutrina e obedecessem àquilo que elas tinham aprendido.

Primeira Timóteo 2:11 delineia como as mulheres eram para aprender na assembléia local: "A mulher aprenda em silêncio, com toda sujeição." É importante notar que esta declaração não implica que a mulher é para completamente se conservar calada durante todo e cada culto de adoração pública da igreja local. Ao invés, a mulher é para se conservar calada somente no processo de aprender, isto é, quando o líder masculino da igreja está ensinando com autoridade a doutrina encontrada na Palavra de Deus. Schreiner diz: "O foco do mandamento não é na mulher aprender mas a maneira e o modo de aprender delas." (18) Bowman descreve a maneira de aprender como tendo duas partes: Primeira: mulheres devem aprender em silêncio, ou quietude, o que denota maneira exterior. Segunda: elas devem aprender em toda submissão, o que denota a atitude do coração que tem que ser acompanhado o aprender. (19)









Esta unção demonstra alta consideração da cristandade pelas mulheres, em muito contraste tanto com a cultura do Novo Testamento como com a tradição judaica. Em muitas culturas, mulheres eram proibidas mesmo de aprenderem, muito menos de ensinarem ou lerem em público. Donald Guthrie escreve que "a igualdade dos sexos... receberam pouco reconhecimento nos tempos antigos. Não somente era a atitude predominante grega contra ela, mas o pensamento hebraico era igualmente não simpatizante." (20) Por exemplo: Guthrie declara que "As proibições rabínicas eram muito mais severas do que as proibições cristãs," pois não era permitido mesmo às mulheres ensinarem às criancinhas. Em contraste, o apóstolo Paulo manda que as mulheres na assembléia local escutem atentamente e calmamente se submetam aos pensamentos e corações delas para ensinar a Palavra de Deus.

Dos princípios acima mencionados, é evidente que as mulheres possuem um papel e função na igreja que traz glória a Deus e beneficia todo o corpo de Cristo. Em seu livro What's a Woman to Do... In the Church? [O Que É Para Uma Mulher Fazer... Na Igreja?], David Nicholas lista uma variedade de ministérios que as mulheres poderiam preencher não somente na igreja mas também na comunidade como ensinar a outras mulheres a aprenderem a Palavra de Deus e adornar elas mesmas com boas obras.
Tais papéis poderiam incluir:
. Um Ministério na Educação Cristã
. Um Ministério em Escolas Cristãs
. Um Ministério em Educação Cristã Superior
. Um Ministério em Evangelismo Pessoal e Discipulado
. Um Ministério de Evangelismo com Crianças
. Um Ministério em Missões
. Um Ministério para Mulheres
. Um Ministério em Publicações Cristãs

Certamente, uma mulher pode preencher uma variedade de papéis que traria honra a Deus e edificaria todo o corpo de Cristo. Enquanto as mulheres podem servir em uma variedade de áreas na igreja, a Palavra de Deus apresenta um princípio final que proíbe às mulheres de exercerem uma particular função na igreja.


 

Princípio #4: Mulheres São Proibidas De Exercerem Liderança Autoritária ou Ensinarem A Palavra de Deus A Homens Na Assembléia Local
 

Uma compreensão acurada de 1 Timóteo 2:12-14 é a chave para um entendimento apropriado do papel da mulher na igreja local. O versículo 12 declara: "Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio." Neste ponto é necessário notar dois prevalecentes, mas inadequados, argumentos que promovem um ponto de vista de igualdade das mulheres na igreja local. Primeiro: alguns clamam que este versículo é simplesmente uma opinião do apóstolo ao invés de uma proclamação autoritária de Deus para todas as épocas. Entretanto, como previamente notificou, tal ponto de vista é insuficiente e não tem que ser tolerado por aqueles que aceitam a inerrância e inspiração das Escrituras. Nicholas faz um super trabalho falando sobre este problema em seu livro What's a Woman to Do... In the Church?, e conclui declarando que "o que realmente interessa na controvertida igualdade evangélica não é a liberação das mulheres" mas, ao invés, "a probidade das Escrituras, desde os mais ardentes defensores da igualdade no casamento e a igreja alcançar suas conclusões negando a infalibilidade e inerrância da Bíblia." (21)

Um segundo argumento prevalecente entre os da igualdade é que Paulo estava simplesmente dando um mandamento temporal, local somente para a igreja em Éfeso devido à cultura na qual esta igreja estava envolvida. Em outras palavras, esta determinação somente aplicou à igreja local de Éfeso. Alguns argumentam que o mandamento de Paulo foi enviado para a igreja como um resultado da condição de mulheres na cultura de Éfeso e a proeminência do culto da fertilidade pagã na cidade. S. M. Baugh responde este argumento em um artigo inteiramente dedicado à questão de se os efésios estavam ou não como "feministas" como muitos pensam. Ele forçosamente expôs este aspecto de Éfeso e, por conclusão, o argumento de igualdade .

As determinações de Paulo através de 1 Timóteo 2:9-15, então, não são medidas temporárias num único cenário social. A sociedade e a religião de Éfeso  - mesmo o culto de Artemis dos efésios - compartilharam aspectos típicos com muitas outras cidades contemporâneas greco-romanas... Por esta razão, nós temos toda razão de esperar Paulo aplicar a restrição de mulheres ensinarem e exercitarem o controle oficial sobre um homem em "todo lugar" (v. 8). ...Tratamentos exegéticos podem proceder com a hipótese de que Éfeso não era a única sociedade como nós lemos hoje... (22)

Um outro autor concorda e notifica que o contexto mesmo revela revela que a declaração de Paulo não é dirigida somente para uma assembléia local, pois Paulo sustenta o seu mandamento considerando o papel da mulher na igreja pelo caminho de um princípio universal. T. David Gordon escreve:

É crucial notar-se a relação casual dos versículos 13 e 14 com os versículos precedentes. Paulo estabelece seus comentários em uma realidade que existe por fora de Éfeso: "Pois Adão foi formado primeiro do que Eva; e Adão não foi enganado, mas a mulher foi enganada e tornou-se uma transgressora." Esta é razão suficiente para reconhecer que algum princípio preservado é aplicado para esta situação específica. A convergência de norma e ocasião que nós esperamos encontrar em cartas de Paulo é expressamente comunicada na presente passagem. Há um comando e há uma norma e estes são conectados por uma partícula causal (gar). (23)

Então, o que 1 Timóteo 2:12 significa? A resposta encontra-se na palavra ensinar. Bowen diz que a palavra "se refere quase exclusivamente para a instrução pública ou ensino de grupos." Ela cita um estudo de Roy B. Zuck no qual ele encontrou que fora de aproximadamente 100 ocorrências da palavra no Novo Testamento, somente três vezes a palavra se refere ao ensino de indivíduos. (Joã 8:28; Rom 2:21; Apo 2:14). Assim, neste exemplo, "ensinar" envolve o pronunciamento público da Palavra de Deus.

Também a palavra ensinar é mesmo muito mais restringida a seu significado nas Epístolas Pastorais. Robert L. Saucy escreveu um artigo útil detalhando o significado de ensinar em 1Timóteo 2:12 e seu significado em todo o contexto das Epístolas Pastorais. (25) Embora Saucy apenas chega bem perto de realmente concluir que mulheres devem abster-se de qualquer papel pastoral na igreja, ele habilmente argumenta que "ensinar" neste versículo envolve [fielmente] transmitir à frente, guardar e conservar a doutrina que tem sido confiada à igreja. Aquilo que era para ser ensinado é descrito nas Pastorais como "doutrina" (1Ti 1:3; 2Ti 3:10), uma "declaração fiel" (1Ti 1:15; 4:9; 2Ti 2:11; Tit 3:8), uma "declaração verdadeira" (1Ti 3:1), "fé" (1Ti 4:6; Tit 1:13), "sã doutrina" ou "boa doutrina" (1Ti 4:6; Tit 1:9; 2:1), "palavras benéficas" ou "palavras sólidas" (1Ti 6:3; 2Ti 1:13), "a verdade" (2Ti 2:18; 4:4), "a palavra" (2Ti 4:2) e "a palavra fiel" (Tit 1:9). É importante notar que estas verdades vitais do próprio Deus foram para ser ensinadas "com toda a autoridade (1Ti 3:2; Tit 2:15). Saucy diz: "A ênfase no ensinar e a importância vital de sua função de manter a verdadeira doutrina cristã já sugere que a autoridade considerável é fixada para este ministério nas cartas pastorais." (26) Ele acrescenta: "A relação forte da função de ensinar para os líderes nas pastorais claramente sugere que há um elemento com autoridade fixa. Kent concorda também, alarga a extensão do termo para relatar seu contexto em todo o Novo Testamento. Ele diz: "O papel de ensinar nos dias do Novo Testamento era um ofício de autoridade. " (28) Esta compreensão de "ensinar" nas epístolas pastorais é fixada para mais proibição de reter "[usurpando] autoridade sobre o homem." É evidente, então, que as mulheres são proibidas de pregar, que é, exercer o ministério de proclamação de autoridade da Palavra de Deus sobre homens na assembléia local de adoração. Isto, entretanto, permitiria as mulheres preencherem uma variedade de oportunidades ministeriais na igreja contanto que ela não ensinem com autoridade a Palavra de Deus a homens.

1 Timóteo 2:13-14 dá a razão por que esta ordem é dada e necessária na igreja local: "Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão." A ordem divina de maneira nenhuma denota qualquer forma de inferioridade das mulheres. Ao invés, este texto lembra ao leitor que Deus tem determinado uma ordem às instituições que Ele tem estabelecido. As razões de Paulo de proibir uma mulher de ensinar com autoridade a Palavra de Deus a homens na assembléia local foram baseadas em dois eventos históricos: a criação e a queda. Concernente à criação, Kent escreve: "A real ordem cronológica da criação prova que Eva não estava pretendendo dirigir Adão." (29) Bowen concorda, notificando que Adão que a "primazia cronológica de Adão na criação trouxe com ela algum grau de autoridade.." (30) Note a observação de Brown concernente à teologia dos Progressistas em relação aos argumentos deles de mulheres na igreja:

A rejeição da especial e separada criação de homem e de mulher é tão comum em nossos dias que muitos podem nem mesmo notar a pressão psicológica colocada nelas para negar cada princípio de ordem derivada dela. É neste clima que rejeita (ignora) a doutrina fundamental da criação na qual (re)interpretações de 1 Timóteo 2:12 de igualdade tem florescido. Parece fortemente promissor discutir os detalhes, pois são freqüentes os princípios fundamentais que efetivamente controlam o resultado de interpretação de alguém. (31)

Certamente, é assim o caso! Se os Progressistas nem mesmo aceitam a separação literal, especial e separada de homem e mulher, então o princípio básico de por que homens sustentam a posição de autoridade no lar e igreja é sem valor, e implicações não práticas podem ser construídas delas.

Também não somente as mulheres se abstêm de proclamar com autoridade a Palavra de Deus para homens devido à ordem estabelecida por Deus no tempo da criação, mas ela também têm que atender a ordem de Deus como um resultado da natureza da queda. Novamente, o versículo 14 de maneira nenhuma denota a idéia de que as mulheres são menos inteligentes ou mesmo mais facilmente enganadas do que o homem. Também não é, obviamente, sempre o caso, pois homens e mulheres são iguais como indivíduos ao lado de Deus, embora cada um tenha sido encarregado com funções ou papéis diferentes. Ao invés, este versículo relata o fato de que Eva usurpou autoridade sobre seu marido por compartilhar do fruto em desobediência para a clara ordem de Deus. Kent escreve: "Deste modo a queda foi causada, não somente pela desobediência da ordem de Deus de não comer, mas também por violar a divinamente designada relação entre os sexos. A mulher assumiu a liderança e o homem com pleno conhecimento do ato, se subordinou à liderança dela e comeu do fruto (Rom 5:19)." (32) Bowen chama isto de "inversão de papéis" e diz que "o ponto de Paulo é que este papel reverso que causou tal devastação no início não tem que ser repetido na igreja." (33) Enquanto tal padrão de liderança masculina possa não ser popular ou politicamente correta na cultura de hoje em dia, tais são as normas que Deus tem estabelecido para Sua igreja, e aqueles que são Seus filhos somente O honrarão e glorificarão por concordar com seus padrões com o coração e a mente desejosos.


 

Em Conclusão...
 

Se alguém aceita a inerrância e a exatidão histórica da Escritura e interpretar corretamente 1 Timóteo 2:9-15, então todas as porções do Novo Testamento que falam sobre o papel da mulher na assembléia local se encaixará no seu devido lugar. Por exemplo, alguém compreenderá o que Paulo tencionava quando ele ordenou que as mulheres "permanecessem em silêncio" na igreja local (1Co 14:33-34). Alguém também compreenderá por que a natureza proscrita das Epístolas pastorais declara que  um pastor/bispo/ancião tem que ser "o marido de uma só mulher (1Ti 3:2). O leitor das Epístolas Pastorais tem que entender que Paulo está dando uma direta e divina revelação concernente aos papéis e comportamentos de homens e mulheres na igreja local, e ambos, mulheres e homens possuem certos ministérios e responsabilidades para preencher. No entanto, a mulher é proibida de ensinar, ou proclamar com autoridade a verdade da Palavra de Deus a homens numa assembléia local de crentes. Hoje, esta proclamação autoritária da Palavra de Deus inclui alguma forma de ministério pastoral ou sustentação de algum ofício de ordenação. As razões para esta proibição divina se origina na ordem prescrita na criação, na família e na igreja local.


 

Notas Finais
 

(1) Eva Stimson, editor. Together on Holy Ground. Geneva, Switzerland: Publicações WCC, 1999, p. 21.

(2) O livro que contém tanto a citação quanto as conclusões do estudo do Seminário Hartford é Clergy Women: An Uphill Calling por Barbara Brown Zikmund, Adair T. Lummis e Patricia M. Y. Chang. Louisville, Ky: Westminster John Knox Press, 1998, p. 138.

(3) Ibid, p. 133.

(4) Ibid, p. 155.

(5) Bruce A. Robinson, "Women Clergy in Orthodox and Protestant Christianity, and Other Religions." Um ensaio publicado em http://www.religioustolerance.org/femclrg4.htm.

(6) Shelly Steig,

7 Assemblies of God position paper. "The Role of Women in Ministry as Described in Holy Scripture." August 1990. This document can be found at http://ag.org/top/ position_papers/0000_index.cfm.

8
Steig, p. 166.

9
Interview with Anne Graham Lotz on CBS's "60 Minutes," June 3, 2001.

10
Susan Hogan/Albach, "The Bible Tells Them So: Evangelical Group Embraces Gender Egalitarianism as the Only Scriptural Way." The Dallas Morning News, June 16, 2001.

11
Ibid.

12
Daniel Doriani, "A History of the Interpretation of I Timothy 2,"Appendix 1 in Women in the Church: A Fresh Analysis of 1Timothy 2:9-15, Andreas J. Kostenberger, Thomas R. Schreiner and H. Scott Baldwin, eds. Grand Rapids: Baker Books, 1995, pp. 213-267.

13
Robert W. Yarbrough, "The Hermeneutics of I Timothy 2:9-15," Essay in Women in the Church: A Fresh Analysis of 1Timothy 2:9-15, Andreas J. Kostenberger, Thomas R. Schreiner and H. Scott Baldwin, eds. Grand Rapids: Baker Books, 1995, pp. 167-171.

14
Ibid., pp. 169-170.

15
Thomas C. Oden, First and Second Timothy and Titus. Louisville: John Knox Press, 1989, p. 116.

16
Homer A. Kent Jr., The Pastoral Epistles. Winona Lake: BMH Books, 1986, P. 106.

17
Ann L. Bowman. "Women in Ministry: An Exegetical Study of 1 Timothy 2:11-15," Bibliotheca Sacra, April-June 1992, p. 198.

18
Thomas R. Schreiner. "An Interpretation of 1 Timothy 2:9-15: A Dialogue with Scholarship," Essay in Women in the Church: A Fresh Analysis of 1Timothy 2:9-15, Andreas J. Kostenberger, Thomas R. Schreiner and H. Scott Baldwin, eds. Grand Rapids: Baker Books, 1995, p. 122.

19
Bowman, p. 198.

20
Donald Guthrie, The Pastoral Epistles. Tyndale New Testament Commentaries. Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1990, p. 86

21
David R. Nicholas, What's a Woman to Do... In the Church? Scottsdale, AZ: Good Life Productions, Inc., 1979, p. 107.

22 S. M. Baugh, "A Foreign World: Ephesus in the First Century," Essay in Women in the Church: A Fresh Analysis of 1Timothy 2:9-15, Andreas J. Kostenberger, Thomas R. Schreiner and H. Scott Baldwin, eds. Grand Rapids: Baker Books, 1995, pp. 49-50.

23
T. David Gordon, "A Certain Kind of Letter: The Genre of I Timothy," Essay in Women in the Church: A Fresh Analysis of 1Timothy 2:9-15, Andreas J. Kostenberger, Thomas R. Schreiner and H. Scott Baldwin, eds. Grand Rapids: Baker Books, 1995, p. 61.

24
Bowen, p. 200.

25
Robert L. Saucy, "Women's Prohibition to Teach Men," Journal of the Evangelical Theological Society, 37:1 (March 1994), pp. 86-97.

26
Ibid., p. 88.

27
Ibid., p. 89.

28
Kent, p. 108.

29
Ibid., P. 109.

30
Bowen, p. 205.

31
Harold O. J. Brown, "The New Testament Against Itself: 1 Timothy 2:9-15 and the 'Breakthrough' of Galatians 3:28," Essay in Women in the Church: A Fresh Analysis of 1Timothy 2:9-15, Andreas J. Kostenberger, Thomas R. Schreiner and H. Scott Baldwin, eds. Grand Rapids: Baker Books, 1995, p. 204.

32
Kent, P. 109.

33
Bowen, p. 206.







Traduzido por Valdenira N.M. Silva, 2006




 


Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).



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