Milagres que Comprovam que Jesus é o Messias

Pr. Luiz Ferraz

 

MILAGRES QUE COMPROVAM QUE JESUS É O MESSIAS

Extraído do Blog Fé Batista: http://prluiz.com/febat

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INTRODUÇÃO

 

Milagres são feitos extraordinários que fogem e superam a lógica humana. Alguns homens foram dotados por Deus com a capacidade para realizar milagres. Os profetas do Antigo Testamento (Ex 4.17; Dt 4.34; Jr 32.20–21; Dn 6.27) e os apóstolos do Novo Testamento (At 5.12), com exceção de João Batista (Jo 10.41), todos eles realizaram milagres. Eram eles homens comuns, sujeitos “às mesmas paixões que nós” (Tg 5.17), contudo alguns deles realizaram tão grandes sinais, que nos causam espanto e admiração. Se foi assim com esses homens, que são “de baixo” (Jo 8.23), era de se esperar que Jesus, que é “de cima” (Jo 8.23) fizesse muito mais sinais do que os profetas. De fato, Jesus realizou numerosos sinais (Jo 20.30), mas o mias importante que devemos observar, não é a quantidade dos milagres de Jesus, e sim a qualidade deles. Jesus realizou determinados milagres que nenhum profeta poderia realizar. Esses milagres são chamados de milagres messiânicos, pois são milagres realizados exclusivamente pelo Messias.

Com base na profecia de Isaias 35.5–7, os rabinos classificaram os milagres em duas categorias: (1) Milagres Comuns, aqueles que qualquer homem de Deus pode realizar, e (2) Milagres Messiânicos, aqueles que só o Messias pode realizar. Essa classificação foi baseada em Isaias 35:5–6: “Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão. Então os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo. E a terra seca se tornará em lagos, e a terra sedenta em mananciais de águas; e nas habitações em que jaziam os chacais haverá erva com canas e juncos.” (Is 35.5–7–ACF).

Esta profecia deve ser dividida em duas partes,1 cada parte se referindo à Primeira e a Segunda Vinda de Jesus. Na primeira parte da profecia de Isaias lemos que 5os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão. 6Então os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará...” (Is 35.5–7). Esta primeira parte da profecia se cumpriu na Primeira Vinda de Jesus. Na segunda parte da profecia lemos que “...águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo. 7E a terra seca se tornará em lagos, e a terra sedenta em mananciais de águas; e nas habitações em que jaziam os chacais haverá erva com canas e juncos” (Is 35.5–7). Esta segunda parte da profecia se cumprirá na Segunda Vinda de Jesus, no Milênio.

No Milênio, quando o Messias voltar, haverá abundância de água no deserto do Negev e no deserto do Aravah. A promessa é de que o deserto florescerá (Is 35.1), mas isso já está começando a se cumprir em certa medida. Assista ao vídeo abaixo, e comprove como as profecias são verdadeiras:

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Em sua Primeira Vinda Jesus realizou os três milagres messiânicos indicados na profecia de Isaias. Esses três milagres são: (1) “os coxos saltarão como cervos...”2 (2)“os olhos dos cegos serão abertos...” (3)“os ouvidos dos surdos se abrirão... a língua dos mudos cantará...” (Is 35.5–7). Vamos examinar os três milagres messiânicos profetizados em Isaias, e depois um quarto milagre realizado por Jesus, em sua Primeira Vinda.

 

I. JESUS CURA UM JUDEU LEPROSO

 

1. AS INSTRUÇÕES LEVÍTICAS

As instruções dadas aos sacerdotes para como proceder com um leproso que foi curado, encontram–se em Levítico 13 e 14. Eles deveriam investigar durante sete dias, para averiguar se a cura foi verdadeira. Eles precisavam ter certeza que a pessoa curada era realmente leprosa, e se a lepra realmente desapareceu por completo. Se houvesse de fato a cura, os sacerdotes deveriam fazer ofertas no oitavo dia, e declarar o leproso curado, com a unção de óleo sobre sua cabeça. Essas instruções nunca foram usadas, porque desde quando a Lei foi dada, nenhum judeu leproso foi curado da lepra.3 Por conta disso, os rabinos entenderam que a cura de um judeu leproso seria um milagre messiânico, um milagre que somente o Messias poderia realizar.

O primeiro milagre messiânico foi a cura de um judeu leproso(Mt 8.2–4; Mc 1.40–44; Lc 5.12–14). Jesus ordenou ao leproso que se apresentasse ao sacerdote: “...mostra–te ao sacerdote, e apresenta a oferta que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho." (Mt 8.4; Mc 1.44; Lc 5.14). Por que Jesus ordenou ao leproso que se apresentasse ao sacerdote? O texto nos diz que era “para lhes servir de testemunho." (Mt 8.4; Mc 1.44; Lc 5.14). Então devemos perguntar: Testemunho de que? Testemunho de que Jesus havia realizado uma cura messiânica, e que ele era, portanto, o Messias. Os sacerdotes deveriam começar uma investigação para confirmar a cura, de acordo com a Lei (Lv 13,14).

Após a cura do leproso, Lucas registra a cura de um paralítico em Cafarnaum, e que apareceram ali fariseus de todas as partes: “E aconteceu que, num daqueles dias, estava ensinando, e estavam ali assentados fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galiléia, e da Judéia, e de Jerusalém. E a virtude do Senhor estava ali para os curar.” (Lc 5.17). Porque os fariseus e doutores da lei estavam lá em Cafarnaum? Eles estavam observando Jesus para investigar o milagre messiânico que Jesus havia feito.

 

2. OS DOIS ESTÁGIOS DE INVESTIGAÇÃO DE UM MILAGRE

Uma investigação tinha dois estágios. (1) O estágio da observação: nesse estágio era formada uma delegação para apenas observar. Se a cura fosse confirmada, passava–se então para o segundo estágio. (2) O estágio do interrogatório: nesse estágio eles tinham autorização do Sinédrio para interrogar, questionar e levantar objeções. No primeiro estágio, os fariseus não podiam interrogar Jesus, por isso Lucas registraque eles apenas “arrazoavam em seus corações” (Lc 5.21,22).

Na cura do paralítico, Jesus primeiro perdoou os pecados dele antes de curá–lo (Lc 5.20). Jesus fez isto porque sabia que estava sendo observado pelos fariseus (Lc 5.22). Por isso Jesus lhes fez a pergunta: "Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta–te, e anda?" (Lc 5.23). A resposta é evidente: É mais fácil dizer: “os teus pecados te são perdoados”, porque isso não exige evidência externa observável. Mas dizer “levanta–te, e anda" é mais difícil de se dizer, porque exige evidência externa. Desse modo, Jesus provou que era o Messias, porque podia dizer o que era mais fácil: “os teus pecados te são perdoados”, e realizar o que era mais difícil: “Levanta–te e anda”. A cura, que era o mais difícil, foi realizada por Jesus, e observada pelos fariseus (Lc 5.25), então Jesus podia dizer o mais fácil, que era perdoar o leproso, e isso provou que Jesus era o Messias (Lc 5.24).

 

II. JESUS EXPULSA UM DEMÔNIO MUDO

 

O segundo milagre messiânico foi a cura de um endemoninhado mudo (Mt 12.22–37; Mc 3.19–30), conforme profetizado por Isaías: “...a língua dos mudos cantará...” (Is 35.6).

Os fariseus não puderam negar o primeiro milagre, passaram então para a segunda fase da investigação, interrogando Jesus com perguntas e questionamentos. Até os irmãos de Jesus duvidavam dele, e preocupados com a presença dos fariseus, queriam parar Jesus (Mc 3.21). Entretanto Jesus realiza o segundo milagre messiânico: a cura de um endemoninhado mudo: “Trouxeram–lhe, então, um endemoninhado cego e mudo; e, de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via.” (Mt 12.22).

 

1. COMO SE COMUNICAR COM UM DEMÔNIO MUDO?

Expulsar demônios era algo comum, algumas pessoas tinham capacidade de fazê–lo (Mt 12.27; Mc 9.38; At 19.14), mas eles tinham que seguir um ritual que consistia no seguinte: (1) O exorcista tinha que se comunicar com o demônio. (2) O exorcista tinha que descobrir o nome do demônio (Mc 5.9), para poder expulsá–lo. (3) O exorcista tinha que expulsar o demônio, usando o seu nome.4

O endemoninhado de Marcos 12.22 era “um endemoninhado cego e mudo”, portanto, ele não podia falar. Como Jesus faria para se comunicar com o demônio, e descobrir seu nome? Por causa disso, era impossível expulsar um demônio mudo, mas os rabinos ensinavam que o Messias seria capaz de expulsar esse tipo de demônio.

Os judeus ficaram admirados e perguntaram: "E toda a multidão se admirava e dizia: Não é este o Filho de Davi?" (Mt 12.23). Essa admiração era porque Jesus tinha realizado um milagre messiânico (Jo 7.12,31). Jesus já havia expulsado demônios antes (Mc 1.32; Mc 5.15; Mc 9.20), mas os fariseus não ficaram admirados, porque eles não eram endemoninhados mudos.

 

2. PELO PODER DE BELZEBU

Mesmo diante de tamanha evidência os fariseus não quiseram reconhecer que Jesus era o Messias, porém eles precisavam dar uma resposta ao povo, e explicar como Jesus havia conseguido curar um endemoninhado mudo, como ele havia conseguido realizar um milagre messiânico. Eles explicaram que Jesus tinha esse poder porque estava possuído, não por demônio, mas pelo Belzebu, o príncipe dos demônios: "Mas os fariseus, ouvindo isto, diziam: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios." (Mt 12.24; Mc 3.22; Lc 11.15–16; Jo 7.20).

Jesus respondeu aos fariseus dizendo que não tinha demônios, pois o reino de Satanás não se divide contra si mesmo (Mt 12.25,26), que ele expulsava demônios pelo poder do Espirito Santo que estava nele, portanto ele era o Messias (Mt 12.28), que ele era mais forte do que Satanás (Mt 12.29), e que eles haviam cometido o pecado imperdoável, atribuindo a obra do Espírito Santo a Satanás (Mt 12.30–37), portanto, rejeitando Jesus como o seu Messias. Qualquer outro pecado seria perdoado (Mt 12.31), mas rejeitá–lo como o Messias era umpecado imperdoável.

 

3. JESUS USA PARÁBOLAS

A partir da sua rejeição como Messias, Jesus mudou a forma de ministrar. Antes de sua rejeição Jesus realizava milagres, como sinal para os judeus, para autenticar que ele era o Messias, por isso ele não pedia demonstração de fé. Depois da rejeição Jesus passou a realizar milagres exigindo fé das pessoas. Antes Jesus realizava milagres PARA a fé (crer que ele era o Messias), mas agora Jesus realiza milagres PELA fé (crendo que ele é o Messias). Antes da rejeição Jesus não proibia que os milagres fossem divulgados (Mc 5.19,20; Lc 8.39) porque ele queria que os milagres servissem de testemunho aos judeus. Depois da rejeição, não há mais necessidade de testemunho, então, Jesus ordena que o milagre não seja divulgado (Mt 16.20; Mt 17.9; Mc 8.30; Mc 9.9; Lc 8.56; Lc 9.21; Lc 9.36). Antes Jesus ensinava de forma clara, mas por causa da rejeição (Jo 12.37–41) Jesus passou a falar por parábolas (Mt 13.1–3, 34–35; Mc 4.34).

 

III. A CURA DE UM CEGO DE NASCENÇA

 

O terceiro milagre messiânico foi a cura de um cego de nascença (Jo 9.1–38). Esse milagre também foi profetizado por Isaías: “os olhos dos cegos serão abertos (Is 35.5). Os rabinos criam que qualquer pessoa capacitada por Deus podia curar alguém que tinha ficado cego. Mas somente o Messias seria capaz de curar alguém nascido cego. Jesus realizou este terceiro milagre.

 

1. O ENSINO DOS FARISEUS

Os discípulos perguntaram a Jesus: “Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” (Jo 9.2). Os rabinos ensinavam, com base em Êxodo 34.6–7, que um filho podia ser punido pelo pecado dos pais: “que visita a iniquidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até a terceira e quarta geração." (Ex 34.6,7). Os discípulos acreditavam que aquele homem havia nascido cego porque seus pais haviam pecado, ou que ele mesmo havia pecado antes de nascer: “quem pecou, este ou seus pais?” (Jo 9.2). Como ele poderia ter pecado antes de nascer cego? Os rabinos ensinavam que, antes da concepção, o feto tinha duas inclinações (yetzer hara e yetzer hatov = inclinação do bem e inclinação do mal). Durante a gravidez o feto dentro do útero podia se inclinar para o bem ou para o mal. Se ele escolhesse o mal, este seria o pecado que ele teria cometido antes de nascer.

O erro dos discípulos foi duplo: (1) acreditar que uma pessoa podia nascer cego por causa do pecado de seus pais, e (2) acreditar que uma pessoa poderia ter pecado no ventre da mãe. Jesus rejeitou as duas posições: “Nem ele pecou nem seus pais...” (Jo 9.3), pois aquele homem havia nascido cego pela vontade de Deus, para que Deus fosse glorificado através da cura que Jesus iria realizar: “...mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.” (Jo 9.3).

 

2. O TANQUE DE SILOÉ

A cura ocorreu num sábado, durante a Festa dos Tabernáculos. Então Jesus, depois de curar o cego, enviou o cego ao tanque de Siloé (Jo 9.6–7). Jesus enviou o cego para tanque de Siloé, porque sabia que os sacerdotes estariam lá, pois durante a Festa dos Tabernáculos havia um ritual do derramamento da água. Nesse ritual os sacerdotes desciam do Monte do Templo até o Tanque de Siloé, enchiam os jarros com a água, e marchavam de volta ao Monte do Templo, e, por fim, despejavam a água na bacia de bronze dentro do Templo. Jesus queria que os sacerdotes vissem o terceiro milagre messiânico. Além disso o homem cego seria curado lá, diante dos sacerdotes.

Quando ele lavou os olhos, no tanque de Siloé, seus olhos se abriram e ele foi curado da cegueira. Muitos que ali estavam o conheciam e sabiam que ele havia nascido cego: “Não é este aquele que estava assentado e mendigava?" (Jo 9.8). Outros diziam que não era ele, mas que se parecia com ele: “Uns diziam: É este. E outros: Parece–se com ele. Ele dizia: Sou eu." (Jo 9.9). Quando ele confirmou que era ele dizendo “sou eu”, então lhe perguntaram: “Como se te abriram os olhos?" (Jo 9.10). Ele respondeu que tinha sido curado por Jesus: “O homem, chamado Jesus... disse–me: Vai ao tanque de Siloé, e lava–te. Então fui, e lavei–me, e vi." (Jo 9.11). Eles sabiam que um milagre messiânico havia ocorrido, por isso perguntaram ao cego: “Onde está ele? Respondeu: Não sei." (Jo 9.12). Ele não sabia quem era, porque quando foi enviado ao tanque de Siloé, ainda era cego, e ainda não tinha visto Jesus.

 

3. A PRIMEIRA INTERROGAÇÃO: O CEGO

Os fariseus interrogam o cego que fora curado pela primeira vez (Jo 9.13–17). Era um milagre messiânico, por isso o homem foi levado perante os fariseus. Mas Jesus havia curado num sábado, por isso, os fariseus se dividiram.Alguns diziam: “Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado.” (Jo 9.16). Outros diziam: “Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles." (Jo 9.16). Observe a firmação daqueles que acreditavam, eles diziam que não era por causa de “sinais”, mas por causa de “tais sinais”, ou seja, não eram sinais comuns, que até os falsos profetas podiam fazer, mas sinais messiânicos. O homem que nasceu cego não disse que Jesus era o Messias, mas acreditava que ele era um profeta (Jo 9.17).

 

4. A SEGUNDA INTERROGAÇÃO: OS PAIS DO CEGO

A interrogação continua. A cura poderia ser falsa, e aquele homem talvez não tivesse nascido cego, então eles decidem interrogar os pais (Jo 9.18–22). Mas os pais confirmaram que aquele homem era seu filho, e, que ele havia nascido cego. Desse modo a suspeita de fraude foi removida.Perguntaram entãoaos pais, como o filho deles, que tinha nascido cego, podia ver. Os se recusaram a responder por medo de serem expulsos da sinagoga (Jo 9.22).5Os judeus tinham decidido aplicar a expulsão, a pena mais severa (o cherem), a quem confessasse que Jesus era o Cristo (Jo 9.22). Por isso os pais decidiram não fazer mais nenhum comentário (Jo 9.23). Como os pais se recusaram a falar, os fariseus decidiram interrogar o cego uma segunda vez (Jo 9.24–25).

 

5. A TERCEIRA INTERROGAÇÃO: O CEGO

Os fariseus queriam que o cego concordasse com eles dizendo que Jesus era pecador: “Chamaram, pois, pela segunda vez o homem que tinha sido cego, e disseram–lhe: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador." (Jo 9.24). A resposta do homem que tinha sido curado não agradou os judeus: “Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo." (Jo 9.25). Essa resposta não foi apenas uma declaração do que tinha acontecido, mas um desafio para os fariseus, pois ele estava afirmando que ele não era alguém que ficou cego, e que tinha sido curado, mas um cego de nascença que havia sido curado por Jesus. Ele sabia que a cura era um milagre messiânico, pois ele havia aprendido isso dos próprios fariseus. Os fariseus perguntam novamente: “Que te fez ele? Como te abriu os olhos?” (Jo 9.26). A resposta do cego curado, mais uma vez, deixou os fariseus indignados: “Respondeu–lhes: Já vo–lo disse, e não ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir? Quereis vós porventura fazer–vos também seus discípulos? 28 Então o injuriaram, e disseram: Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés. Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este não sabemos de onde é.” (Jo 9.27–29). O homem cego “zombou” dos fariseus: “Nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de onde ele é, e, contudo, me abrisse os olhos.” (Jo 9.30).

Em seguida o homem cego dá uma aula de conhecimento teológico aos fariseus: “Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve.” (Jo 9.31). Por fim ele declara implicitamente aos fariseus que o milagre realizado por Jesus, era um milagre messiânico, porque ninguém o tinha feito antes: “Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença.” (Jo 9.32), e que Jesus era de Deus: “Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer” (Jo 9.33). Os fariseus inconformados o expulsaram da Sinagoga (Jo 9.34).

Em seguida o cego encontrou–se com Jesus, e Jesus que já o havia curado de cegueira, concede–lhe a cura espiritual. O homem reconhece Jesus como o Messias, e como resultado o adora: “Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando–o, disse–lhe: Crês tu no Filho de Deus?Ele respondeu, e disse: Quem é ele, Senhor, para que nele creia? E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo. Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou.” (Jo 9.35–38).

 

IV. A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO

 

Um quarto milagre messiânico foi realizado por Jesus, que não consta na profecia de Isaias (Is 35.5–7). O quarto milagre messiânico é a ressurreição de Lázaro (Jo 11.1–14).

Quando Jesus foi rejeitado como o Messias, após curar um endemoninhado mudo (Mt 12.22), ele disse aos fariseus que eles haviam cometido o pecado imperdoável, blasfemando contra o Espírito Santo, e que por causa disso, por causa da sua rejeição, ele não faria mais milagres, mas lhes daria um sinal de que ele era o Messias. Jesus disse que daria a eles o sinal do profeta Jonas (Mt 12.39; Mt 16.4), que é o sinal da ressurreição. Neste sinal Jesus se refere a si mesmo (Mt 12.40), e do seu poder para ressuscitar mortos (Jo 11.25), por isso devemos incluir a ressurreição de Lázaro como um sinal da ressurreição, e como um milagre messiânico.

Surge, porém uma pergunta: Outros profetas não realizaram o milagre da ressurreição? O livro de Hebreus declara que “As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos..." (Hb 11.35), referindo–se a ressurreição do filho da viúva de Sarepta, feita pelo profeta Elias (1Rs 17.22–23) a ressurreição do filho da sunamita, feita pelo profeta Eliseu (2Rs 4.35–36). O Antigo Testamento cita ainda outro milagre de ressurreição ocorrido quando um homem morto, que sendo lançado na sepultura de Eliseu, ao tocar nos ossos do profeta, ressuscitou dos mortos (2Rs 13.21).

Então como pode a ressurreição de Lázaro ser considerado um milagre messiânico, se os profetas Elias e Eliseu também realizaram o milagre da ressurreição? Há um detalhe na ressurreição de Lázaro que o torna singular e especial em relação aos demais milagres da ressurreição. Jesus ressuscitou Lázaro dentre os mortos depois de estar morto por quatro dias, e isto, de acordo com os ensinamentos do farisaísmo judaico, quando um homem morria, o espírito do homem pairava sobre o corpo durante os primeiros três dias. Durante esses três dias, havia a possibilidade de uma ressuscitação. No quarto dia, o espírito do homem descia definitivamente ao sheol, o mundo dos mortos, e a partir de então, a ressurreição era impossível. Somente o Messias poderia realizar o milagre da ressurreição de um morto após o quarto dias. Foi exatamente por este motivo que Jesus esperou passar três dias (Jo 11.6), e realizou a ressurreição de Lázaro somente no quarto dia (Jo 11.17).

A ressurreição de Lázaro que já estava morto há quatro dias, criou grande agitação entre os fariseus. João informa imediatamente após o milagre, o Sinédrio se reuniu para planejar a morte de Jesus (Jo 11.45–54), e, posteriormente a morte de Lázaro (Jo 12.9), porque aquele era um milagre messiânico.

Jesus realizou os quatro tipos de milagres messiânicos: a cura de um leproso, a cura de um endemoninhado mudo, a cura de um cego de nascença, e ressuscitou um morto que havia morrido há quatro dias. Mas nenhum desse milagres foram suficientes para convencer os fariseus. Jesus então realiza mais dez milagres messiânicos. Jesus cura dez leprosos (Lc 17.11–19), e ordena a eles que se apresentem aos sacerdotes: “E ele, vendo–os, disse–lhes: Ide, e mostrai–vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos.” (Lc 17.14). Jesus mais uma vez comprova que é o Messias, mas dessa vez, ele fez com que os próprios sacerdotes proclamassem isso implicitamente. Não foi proclamada pela boca de testemunhas, mas pela boca dos próprios sacerdotes que aqueles homens haviam sido curados. Eles tiveram que declarar a cura, e assim confirmar a veracidade de dez milagres messiânicos.

 

CONCLUSÃO

 

Quando João Batista enviou seus discípulos para se certificar de que Jesus era o Messias: “E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos seus discípulos. A dizer–lhe: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?" (Mt 11.2,3), Jesus respondeu citando os quatro milagres messiânicos: “E Jesus, respondendo, disse–lhes: Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: (1) Os cegos vêem, e os coxos andam; (2) os leprosos são limpos, e (3) os surdos ouvem;(4) os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mt 11.4,5). Veja também Lc 7.22.

 

Milagres que Comprovam que Jesus é o Messias

Pr. Luiz Ferraz

 

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Notas

[←1
]

      Chama–se interpretação apotelesmática quando observamos a existência de um intervalo profético entre duas partes de uma profecia, tendo a primeira parte um cumprimento contemporâneo, e a segunda um cumprimento futuro.

[←2
]

      Não há nenhuma relação direta da cura de um leproso com a parte de Isaías 35.6 onde lemos que "os coxos saltarão como cervos". Há, porém, uma associação indireta. A lepra é espiritualmente figura do pecado. Só Jesus pode curar e perdoar pecados. Portanto, quando um pecador é salvo (espiritualmente curado), ele é liberto do pecado (figurativamente da lepra), e como um bezerro, salta de alegria, quando é solto no curral (Sl 29.6; Sl 114.4; Ml 4.2; Sl 132.16).

[←3
]

      Miriam foi curada antes da Lei ser completada, e Naamã era um gentio sírio e não um judeu: “E muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o sírio” (Lc 4.27).

[←4
]

      Os judeus acreditavam que para exercer autoridade sobre um demônio, era preciso saber seu nome.

[←5
]

      No farisaismo judaico, haviam três tipos de excomunhão: (1) Havia o heziphah, que era uma repreensão (1Tm 5.1) de excomunhão que durava entre sete a trinta dias, e devia ser por três rabinos. (2) Havia o niddui, que era pronunciado por dez rabinos, e durava no mínimo trinta dias (2Ts 3.14–15). (3) Havia o cherem, a excomunhão mais severa, que era a exclusão permanente do Templo (1Co 5.1–7; Mt 18.15–20). Em casos extremos, o cherem levava à morte (Js 6.18 a 7:26).



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